sábado, 6 de setembro de 2014

No subjetivo moram fortes tentações...

No barulho trovejante do mundo vou encobrindo o ronco do inconsciente na sombra murmurante de uma árvore. Bom Sábado nesta Semana da Pátria! Ana Marly De Oliveira Jacobino
## Publicação feita no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto de 2014_ Parte 3
 
Tortura de amor _ Ondina Bueno Toricelli Toricelli
Encontrei-me com ele sob o luar
E o beijo que esperei não aconteceu
Não sentiu o desejo na carne ardendo
Não sentiu o fogo queimando como eu.

A liberdade dos pensamentos eclode
Voam como andorinhas sem fronteira
Meus ouvidos desejando ardentemente
Ouvir chilreios de amor e outras besteiras.

Eu mergulhei nos seus olhos de cristal frio
Buscando bálsamo pra esta tortura sem paz
Estancando o choro junto ao seu peito emudeci
Tremula, envergonhada por esse amor fugaz

Foge assustado de meus anseios desvairados
Não sabe que insone, noites inteiras sofri
Oh! Desejei tanto sacudir da minha alma
O amor que por ele a vida inteira vivi.

Que faço desta dor que me rala o peito
E deste coração sangrento, despedaçado
Não se compadeça com esta dor que é minha
E nem se comova por este pranto derramado.

Meus olhos úmidos seguirão os seus passos
Minha voz entoará versos de amor arrancados.
Deixarei este pranto dolorido voar com o vento
gemendo num lamento feroz de amor insaciado.

 
O NOIVADO _ Juraci Toricelli
Aquele olhar na noite mansa e serena
testemunhado pelas estrelas a brilhar
Rompe a imensa escuridão reinante
alçando vôo como as gaivotas no mar.

No idílio onde a esperança caminha
como o jasmineiro perfumado a florir
São afetos, ardores, paixões
sonhos acalentados num futuro porvir

Olhares se enredam, numa cumplicidade de amor
na trajetória do prelúdio de uma aurora venturosa
A febre dessa agonia dilacerante cede
ao frescor da brisa que desponta silenciosa.

Luzes, calor, orquestra, flores - rompem
num murmúrio de assombro e ilusões
Duas almas, um só destino
Duas flores juntas - unindo dois corações.

E foi CASTRO ALVES, que disse:
São duas flores unidas, são duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol, vivendo no mesmo galho
Da mesma gota de orvalho, do mesmo raio de sol.
 

Foto: Detesto ternos (ficção) _ Camilo Irineu Quartarollo
Sou um simples alfaiate e perdi muitos clientes. Faço por encomenda. Sou conhecido na região, quando morre alguém vai com meu paletó. Cirzo roupas e a dor da perda, e, por fim, somente fica a aparência do vivente sem se saber das agulhadas e das linhas inquietas de nervos cotidianos, tecendo a trama sutil e escondida no avesso. 
Alfaiate, é! Disseram que meu mundinho é pequeno. Ridículo. Meus dias são como cinza de moldes e dos fundos da alfaiataria. Também não nego que prefiro tons em cinza ao colorido, que pendo à contemplação mais que ao entusiasmo. Contento-me com pouco, não busco mais, rejeito a luta antes da batalha. Que me enclausuro num tronco oco, que sou. Que me procuram a alma entre os cabides e não veem. Que nunca usei terno, nem uma gravata! Que faço roupas a outrem e deixo as puídas de sempre ao meu uso. Que visto celebridades, porém vivo no ostracismo.
Sou bem modesto, faço silêncio pela minha pouca sapiência, não busco reconhecimento onde não tenho e não desdenho do que me parece estranho. Não tenho grandes pretensões, não ambiciono, e nada me satisfaz mais que um bom sono – sem linhas nem tesouras, sem cortes; porque sei que o mundo é bem maior que o meu que está em algumas mentes imaginosas que me viram, que se vestem de minhas roupas, mas nem eu sei o que minha alma me preparou para o deslinde do eu mesmo. Amo outros viventes - respeito, porque sei que também, debaixo de suas aparências de grife, de seus sapatos de boutique e lãs, o inverno lhes pega, a vida lhes segura e o impulso não os sustenta sem roupas boas. O viver é relativo até aos mais abastados. 
Aos mendigos sem rosto dão o que lhes pertence, a função de mendigar é franciscana, mas nem todos são mendigos ou alfaiates! Mendigos, mas bem vestidos e asseados – é precisamente o glamour da filantropia, vulgarmente conhecida por caridade. Já em molambos o pobre de Assis sabe que a vida é mendigar cada gota de luz que cai da boca de Deus.
Bem, aqui encerro estas curtas e ridículas letras retiradas do bolso de um cliente. O terno dele está quase pronto, para seu uso ou a quem a família der. Detesto ternos!
# Publicação feita no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto de 2014 
Detesto ternos (ficção) _ Camilo Irineu Quartarollo
Sou um simples alfaiate e perdi muitos clientes. Faço por encomenda. Sou conhecido na região, quando morre alguém vai com meu paletó. Cirzo roupas e a dor da perda, e, por fim, somente fica a aparência do vivente sem se saber das agulhadas e das linhas inquietas de nervos cotidianos, tecendo a trama sutil e escondida no avesso.
Alfaiate, é! Disseram que meu mundinho é pequeno. Ridículo. Meus dias são como cinza de moldes e dos fundos da alfaiataria. Também não nego que prefiro tons em cinza ao colorido, que pendo à contemplação mais que ao entusiasmo. Contento-me com pouco, não busco mais, rejeito a luta antes da batalha. Que me enclausuro num tronco oco, que sou. Que me procuram a alma entre os cabides e não veem. Que nunca usei terno, nem uma gravata! Que faço roupas a outrem e deixo as puídas de sempre ao meu uso. Que visto celebridades, porém vivo no ostracismo.
Sou bem modesto, faço silêncio pela minha pouca sapiência, não busco reconhecimento onde não tenho e não desdenho do que me parece estranho. Não tenho grandes pretensões, não ambiciono, e nada me satisfaz mais que um bom sono – sem linhas nem tesouras, sem cortes; porque sei que o mundo é bem maior que o meu que está em algumas mentes imaginosas que me viram, que se vestem de minhas roupas, mas nem eu sei o que minha alma me preparou para o deslinde do eu mesmo. Amo outros viventes - respeito, porque sei que também, debaixo de suas aparências de grife, de seus sapatos de boutique e lãs, o inverno lhes pega, a vida lhes segura e o impulso não os sustenta sem roupas boas. O viver é relativo até aos mais abastados.
Aos mendigos sem rosto dão o que lhes pertence, a função de mendigar é franciscana, mas nem todos são mendigos ou alfaiates! Mendigos, mas bem vestidos e asseados – é precisamente o glamour da filantropia, vulgarmente conhecida por caridade. Já em molambos o pobre de Assis sabe que a vida é mendigar cada gota de luz que cai da boca de Deus.
Bem, aqui encerro estas curtas e ridículas letras retiradas do bolso de um cliente. O terno dele está quase pronto, para seu uso ou a quem a família der. Detesto ternos!
 

 
 Minha Rua _ Leda Coletti
Minha rua é tão bonita!...
Do alto do prédio, aprecio-a:
carros, motos, parecem
brinquedos eletrônicos sincronizados.
Nela os pedestres apressados
São como soldadinhos de chumbo
acertando passos
( 1,2,... esquerdo, direito ).

Meio dia de sexta feira::
tem música no coreto da praça,
ritmado pagode com cantoria.
As pombas ora se misturam aos pedestres,
ora pousam nos mausoléus e árvores.
tendo por companhia milhares de pardais.
(que linda é a revoada à tardinha!)

Minha rua é tão bonita!...
Dos prédios altos os moradores,
apreciam das sacadas
as belas tardes com pôr de sol
lá pras bandas da ponte do Morato,
onde o rio Piracicaba se esgueira.
(é hora de encantamento na Noiva da Colina)

O Colégio Piracicabano
com tijolo vermelho à vista
tem destaque nesta rua central.
Também o Assunção mais acima,
junto com o Lar Escola
difundem formação integral.
(para jovens e crianças)

Desde a infância eu a quero muito.
Lembro-me do bonde fazendo dlim...dlim,
zigue-zagueando nos paralelepípedos,
subindo, subindo até chegar à Estação da Paulista,
fim de rua, chegada , partida dos trens,
sorrisos, lágrimas nas despedidas
(cenário dos pracinhas da Revolução Constitucionalista) t

Hoje no lugar dos trilhos do trem
Há um parque de lazer
Abrigando cultura, música
Onde jovens, idosos com prazer
Dançam, pintam, cantam
A alegria de viver.
( o povo sabe o que lhe faz bem)

Desde a quadra inicial, perto da Catedral,
ela é velada por Santo Antonio,
protetor dos namorados
em treze de junho comemorado
com trezena, procissão,bolo, muita festa,.
pão bento, quermesse e bucólica seresta.
(e o tempo antigo é lembrado)

Quando é dia, o sol a bronzeia,
Se é noite, a lua cheia
rodeada de estrelas meninas,
a faz rainha, e a namora em silêncio.
Gosto de dizer que ela é minha,
mas bem sei que é de todos.
(sinto-me feliz em poder partilhar esta dádiva).

Embora se chame Rua Boa Morte,
ela só transmite vida e muita sorte,
pois é abençoada pelo sacro manto
de Nossa Senhora da Boa Morte.
Minha rua é tão bonita!...

 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Você é um comensal neste banquete...

poético em que as palavras exploram o nosso apetite e nos levam a um orgasmo de sensações!- Ana Marly de Oliveira Jacobino
Publicações do Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto_ Parte 2
 

Janela aberta    _       Fátima Feitosa (São Paulo- Capital)
 Caminhando, caminhando, desce e sobe, lá vai ela.
Pensamentos viajando, mas os olhos fitos na janela;
Janela que a Gaia abre de presente para ela.
Caminhando, caminhando, desce e sobe, lá vai ela.
Imponentes eucaliptos acolhem pássaros tagarelas,
Não sei se é canto ou só barulho, mas faz bem ao coração dela.
A cada passo é uma descoberta do que mostra esta janela.
Tem escumilha africana, jacarandá mimoso,ipês, flamboyants,
Fícus, paineira e quaresmeira.
Tem sheflera,ligustro,pitosporo,pleomele e arueira.
Suinã,sibipiruna,aleluia,bambuzeiro e roseira,
Azáleias,helicônias,alpínias, orquídeas e muitas bromélias.
Muitas delas agora aquietam, dormem, hibernam,
Para acordar na primavera,
Trazendo cores estonteantes para a janela da mãe Terra.
Outras, já bem acordadas dão cor ao frio inverno,
Como a bela espatódea e o meigo manacá da serra.
É de uma beleza indescritível o que mostra esta janela.
Ela é um fiasco da Mata Atlântica, dando vida à selva de pedra,
Este monte de concreto, que nenhum respeito tem por ela,
A Gaia, a Pachamama,a Grande Mãe,
Ou seja, a nossa sagrada Terra.
“ Quem não tem um jardim por dentro,não planta um jardim por fora...nem passeia por ele”( Rubem Alves)
Foto: Piracicaba em História... Origem do nome Piracicaba. __ Márcia Regina Onofre

Como sabemos a origem do nome “Piracicaba” vem do tupi-guarani, que popularmente falando significa “lugar onde o peixe pará”. Mas os filólogos em seus estudos afirmam que o significado de Piracicaba se refere ao mesmo tempo ao rio e ao salto. Mas não há um acordo entre eles, o nome Piracicaba recebe diferentes interpretações, vejamos, o General Couto Magalhães entendia que Piracicaba significava “chegada dos peixes”, o Imperador Dom Pedro II entendia Piracicaba como “mãe dos peixes”, o Senador Manoel de Moraes Barros afirmava que Piracicaba é “palavra guarani composta de pira (peixe) e cicaba (fim), significando que aqui “se acaba a abundância de peixes”“. 
Foram as inúmeras interpretações que vieram diante do nome Piracicaba (...) Mas sabemos que a discussão ainda continuará, de frente ao que os índios exclamaram a palavra-mãe: Piracicaba, diante a beleza do rio, do Salto e dos peixes, que até hoje permanece, não mais intacta, mas com uma exuberância que ainda nos encanta...
Publicações do Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto_ Parte 2
 Piracicaba em História... Origem do nome Piracicaba. __ Márcia Regina Onofre
Como sabemos a origem do nome “Piracicaba” vem do tupi-guarani, que popularmente falando significa “lugar onde o peixe pará”. Mas os filólogos em seus estudos afirmam que o significado de Piracicaba se refere ao mesmo tempo ao rio e ao salto. Mas não há um acordo entre eles, o nome Piracicaba recebe diferentes interpretações, vejamos, o General Couto Magalhães entendia que Piracicaba significava “chegada dos peixes”, o Imperador Dom Pedro II entendia Piracicaba como “mãe dos peixes”, o Senador Manoel de Moraes Barros afirmava que Piracicaba é “palavra guarani composta de pira (peixe) e cicaba (fim), significando que aqui “se acaba a abundância de peixes”“.
Foram as inúmeras interpretações que vieram diante do nome Piracicaba (...) Mas sabemos que a discussão ainda continuará, de frente ao que os índios exclamaram a palavra-mãe: Piracicaba, diante a beleza do rio, do Salto e dos peixes, que até hoje permanece, não mais intacta, mas com uma exuberância que ainda nos encanta...

Foto: ILUSÃO_ Stefania Alvise

 SOL  POENTE
Ó  CABELEIRA  EM  CHAMAS  
PREMIDA  CONTRA  MEUS  OLHOS
PRESA  NAS  MINHAS  MÃOS
NOITE  ESCURA
ALVO  CORPO  E  PURO
ESMAGADO  ALÉM  DA  VISTA
E  DOS  SENTIMENTOS
ATÉ  QUE,
NUA  E  CEGANTE  A  LUZ
INUNDOU  A  COLINA
AH , DEUS , A  AURORA
AGORA, NA  ONDA  SOMBRIA
E  LÍVIDA
O  BARCO  VOGA  SOZINHO
COM  UM  PÁLIDO  BRILHO  DE  EMPRÉTIMO
A  LUA  PUXA  AS  MARÉS  PARA  O  ALTO
ESVAZIA  AS  MÃOS
O  CORAÇÃO  ESTÁ  ENTORPECIDO
E  OUVE  APENAS
UM  NOME  QUE O  MAR  RESPIRA
AH, DEUS, NA  AURORA
COMO  SE  O  MUNDO  FOSSE  CAIR
SOBRE  VOSSAS  CABEÇAS  TÃO  PODRES
VAGANTES  AO  SOM  DA  VIDA
ESQUECENDO  ENTÃO  DA  MORTE
POR  MAIS  BELA  QUE  SEJA
AH, DEUS, A  AURORA   
##Publicado no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto_ Parte 2 
                                         ILUSÃO_ Stefania Alvise
SOL POENTE
Ó CABELEIRA EM CHAMAS
PREMIDA CONTRA MEUS OLHOS
PRESA NAS MINHAS MÃOS
NOITE ESCURA
ALVO CORPO E PURO
ESMAGADO ALÉM DA VISTA
E DOS SENTIMENTOS
ATÉ QUE,
NUA E CEGANTE A LUZ
INUNDOU A COLINA
AH , DEUS , A AURORA
AGORA, NA ONDA SOMBRIA
E LÍVIDA
O BARCO VOGA SOZINHO
COM UM PÁLIDO BRILHO DE EMPRÉTIMO
A LUA PUXA AS MARÉS PARA O ALTO
ESVAZIA AS MÃOS
O CORAÇÃO ESTÁ ENTORPECIDO
E OUVE APENAS
UM NOME QUE O MAR RESPIRA
AH, DEUS, NA AURORA
COMO SE O MUNDO FOSSE CAIR
SOBRE VOSSAS CABEÇAS TÃO PODRES
VAGANTES AO SOM DA VIDA
ESQUECENDO ENTÃO DA MORTE
POR MAIS BELA QUE SEJA
AH, DEUS, A AURORA
 

Foto: Ponte Pênsil _ Esther Vacchi
Depois de  reformada, a ponte pênsil ficou com aparência moderna, segura e com piso de madeira alinhado, pintura alegre na cor tangerina.
Pronta para receber turistas e Piracicabanos, que vem na esperança de contemplar nosso belo rio, com seu véu da noiva jorrando água em abundância, barcos a passear, aves em revoadas e pessoas debruçadas admirando a beleza da correnteza, com peixes saltitando nas águas límpidas, como era tempos atrás. Mas, infelizmente ao visitar a ponte  pênsil , senti um cheiro muito forte que vinha da água escura, que descia entre as pedras e mais pedras limosas expostas, apenas uma ave estava a espera do peixe que não veio. Turistas tirando fotos, para levar de lembrança da paisagem que um dia contemplou mais bela . Esperamos com ansiedade ,ver nosso rio novamente também reformado, para junto a ponte saudar a estação que vem chegando trazendo flores e beleza
##Publicado no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto_ Parte 2 
                                 Ponte Pênsil _ Esther Vacchi
Depois de reformada, a ponte pênsil ficou com aparência moderna, segura e com piso de madeira alinhado, pintura alegre na cor tangerina.
Pronta para receber turistas e piracicabanos, que vem na esperança de contemplar nosso belo rio, com seu véu da noiva jorrando água em abundância, barcos a passear, aves em revoadas e pessoas debruçadas admirando a beleza da correnteza, com peixes saltitando nas águas límpidas, como era tempos atrás. Mas, infelizmente ao visitar a ponte pênsil , senti um cheiro muito forte que vinha da água escura, que descia entre as pedras e mais pedras limosas expostas, apenas uma ave estava a espera do peixe que não veio. Turistas tirando fotos, para levar de lembrança da paisagem que um dia contemplou mais bela . Esperamos com ansiedade ,ver nosso rio novamente também reformado, para junto a ponte saudar a estação que vem chegando trazendo flores e beleza
 

Foto: A Olaria das Palavras _ Carmelina Toledo Piza
Surgem cenas e imagens
Nascer 
O barro.
Crescer 
O vaso.
Vida em busca.
Envelhecer 
Buscar a vida perdida no tempo.
Sentir o peso dos dias
É luta
É batalha 
É espera
Buscar o frescor e a espontaneidade 
Na estrada carregada de pedras.
Saltar
Chutar
Pular 
Seja lá o que tenha acontecido
É ouro, prata, bronze
É âmbar, marfim 
A olaria das etapas vividas.
##Publicado no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto_ Parte 2 
                        A Olaria das Palavras _ Carmelina Toledo Piza
Surgem cenas e imagens
Nascer
O barro.
Crescer
O vaso.
Vida em busca.
Envelhecer
Buscar a vida perdida no tempo.
Sentir o peso dos dias
É luta
É batalha
É espera
Buscar o frescor e a espontaneidade
Na estrada carregada de pedras.
Saltar
Chutar
Pular
Seja lá o que tenha acontecido
É ouro, prata, bronze
É âmbar, marfim
A olaria das etapas vividas.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Salve o Esporte Clube XV de Novembro...

Um pouco das saudades guardadas dentro do peito... Ana Marly de Oliveira Jacobino

Salve o Esporte Clube XV de Novembro por Ana Marly De Oliveira Jacobino

Emoção pura emoção é torcer pelo time de futebol que você aprecia. Aprendi a gostar do Esporte Clube XV de Novembro, indo ao Barão de Serra Negra com meu pai, Celso de Oliveira. Lembranças “gostosas”, eu tenho das partidas, no ir e vir dos vendedores de amendoim, cachorro quente, pipoca, sorvete e, tantas outras guloseimas inesquecíveis para o estômago de uma criança!
               Eu me lembro de meu pai levar os meus primos ao estádio, cada partida era uma “trelinha”, que o acompanhava (formava os torcedores desde a infância). A minha mãe preparava uma sacola de merenda para acalmar a fome insaciável da meninada. Aos meus olhos o “Barãoboneira” todo iluminado, parecia um disco voador, a saída dos vestiários eram grandes bocas a regurgitar os jogadores para o gramado. Torcer, torcer e torcer..., nunca abandonar o time nem mesmo em tempos difíceis. Torcer na mais perfeita segurança, ah!, palavrões eram ditos, os benditos, quase sempre para a mãe do juiz (santa mãe, tão mal falada nos lances controvertidos), mas, perto do que, se ouve hoje em dia nos campos de futebol, pareciam água com açúcar em boca de neném.
            Já adulta, ainda acompanhava meu pai para assistir ao Quinzão, de quebra levava o meu filho e seus primos. Passei a preparar a merenda. Meu pai recomendava no dia anterior à partida: “Não esqueça do embornal de lanche!”. Ele sabia que a fome devorava as entranhas de cada torcedor mirim. Para cada uma das crianças ele dava uma bandeira do Quinze para balançar a cada gol feito! Nas derrotas as bandeiras enroladas vinham embaixo do braço, nas vitórias eram desfraldadas durante o percurso até a casa de cada um!
           No campo aprendi a gostar do nosso sotaque “caipiracicabano”, cantando o Hino Caipira do Nhô Quim:


Cáxara de forfe
Cúspere de grilo
Bícaro de pato
GOOORRRR!!!!
XV ! Cra, cra, cra!
XV! Cra, cra, cra!
Ásara de barata
Nhéque de portêra
Já que ta que fique
GOOORRRR!!!!
XV! Cra, cra, cra!
XV! Cra, cra, cra!...


            Meu pai, já bem velhinho e adoentado pôde acompanhar junto comigo, meu filho, e seus sobrinhos, vestindo a camisa zebrada, ver o Nhô Quim subir como rojão da Terceira, para a Segunda, e, para a Primeira Divisão do Futebol Paulista! Hoje, a cada partida do Quinze de Novembro, eu me recordo da fala confiante do meu pai, mesmo naqueles momentos de derrota da equipe:
            “Não se preocupe perder faz parte do jogo, mas, um dia ele vai ganhar!”


Meu querido e saudoso Pai, o Celsinho.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Venha para a Festa...



“Os meus retratos são vários e neles não terás nunca o meu rosto de poesia. Não olhes os meus retratos, nem me suponhas em mim.” Gilka Machado ,Poeta Brasileira
Publicações dos participantes no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 19 de Agosto 
de 2014
 
  Narciso_ Ana Lucia Ana Lúcia Paterniani
" eu te olhava e não te via
você me via e não me enxergava
que pena!!
duas belas almas encantadas
aprisionadas
no reflexo do espelho
da própria beleza
não fomos capazes de sair
dessa armadilha
do próprio encantamento
náufragos na ilha do eu
incapazes de amar
morremos afogados
na paixão
de si mesmo"




TRAGÉDIA_  Dirce Ramos de Lima

Só mesmo a fé em Deus conforta
este pai, que, regressando ao lar,
 encontra esposa e filha mortas!
                       
 O homem sofrido.
     abatido,
       ajoelha e chora:
é o único sobrevivente,
      da enchente
      que levou sua família embora...
 
 
Para "Bandeira e todos os Poetas" _ Ana Marly De Oliveira Jacobino
Que saudades do Brasil...
Lá, eu era amigo do Poeta.
Lia, Andrade, Bandeira, Drummond, Gilka...
No sítio do meu avô Giubbina,
De bermuda, chinela, camiseta,
Caminhava pela grama orvalhada.

Que saudades do Brasil...
Como, Lispector fui feliz por lá,
No Brasil tinha grandes aventuras, como;
coordenar um Sarau Literário, repleto
de composições, poemas...de quem sabe fazer
o bom e belo, juntando as palavras.
Passar por Pásargada e visitar Bandeira.
Vou voltar...

Conhecerei meninos e meninas;
brancos, negros, índios...
Vou visitar a casa...
"Encantada de Santos Dumont"!
Subir os degraus da escada com o pé direito.
Escada, que ele planejou, enquanto, fazia o avião.
Ouvirei Villa Lobos em sua Sinfonia de Brasilidade,
E, no Carnaval de Ouro Preto, descerei as ladeiras...
com as Repúblicas Históricas, vestida de colombina.

Que saudade do Brasil...
Lá, sou amiga do Bandeira
Sei que seus poemas são belos!
Tem bolsa família para os mais pobres.
E, os trens sumiram das estações,
As ruas viraram sambódromos
Os rios, alguns, estão poluídos...
Faltam políticas públicas...
Consciência para os governantes e,
o povo na hora de votar!
Mas, as pessoas são alegres, mesmo assim...

Quero ir à Sala São Paulo
Cantando no “Trenzinho Caipira”.
Beber uma caipirinha em Piracicaba.
Ler as homilias de D. Paulo Evaristo Arns,
Na linda Catedral da Sé.
Vou-me embora para o Brasil!

E, se, porventura vier a sentir
saudade do vento gelado,
De ouvir um Jayhawks, imitar o toque do celular
De ver as árvores sem folhas,
E a grama queimada pela neve tão alva,
Quem sabe volte pra lá.
Talvez! Porque, aqui no Brasil sou tão feliz!

Que saudade do Brasil...
Lá sou amiga do Bandeira
Sei que no Brasil há Antonio, Benedito, João, Pedro...
Antonia, Benedita, Joana, Heloisa...
Terei uma cama de palha de milho,
Cachaça, mandioca, pamonha, rapadura,
e um amigo, à quem escrever.
Porque no Brasil, quem é amiga do Bandeira,
É quase, como amigo do Rei.

## Dedico este poema paráfrase para todos os Artistas, Escritores, Músicos... Entre eles, o poeta Richard Mathenhauer e para o grande escritor e pensador Stefen Zweig, que foi um apaixonado pelo Brasil.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Adeus a Cybele, do grupo vocal Quarteto em Cy,


Estou aqui consternada com a notícia que ouvi agora, Cybele, do grupo vocal Quarteto em Cy, um dos mais importantes da história da música brasileira, faleceu em 21.08.2014.Meu depoimento: Uma curiosidade sobre esta foto: Fui até o Camarim do SESI para tirar uma foto com o Quarteto em CY, afinal, sou apaixonada por suas vozes e encontrei muitos fãs pedindo para tirar fotos com elas... Como as vi cansadas, mas, receptivas e alegres, resolvi tirar uma foto e sair... Hoje, ao saber da morte de Cybele e ao publicar a foto daquele show de 2012, percebi que estou com elas,... na imagem do espelho. Adeus Cybele (a primeira da foto) o Brasil chora a perda da sua bela voz ... a perda de mais um vocal ...Adeus!






Na madrugada de 29 de setembro de 1968, uma vaia de dez minutos foi dirigida, em pleno Maracanãzinho, contra dois dos maiores expoentes de nossa música popular em todos os tempos: Tom Jobim e Chico Buarque.
Mas a vaia que partiu do público e que se prolongou por 22 minutos ao final do espetáculo não era dirigida a Tom Jobim e Chico Buarque, mas ao resultado e ao júri, que escolheu Sabiá para o primeiro lugar.
Embora toda a admiração que o público sente por Tom tenha sido demonstrada e provada neste festival em duas oportunidades, numa das mais intensas demonstrações de entusiasmo, a vaia ao final do espetáculo de domingo foi a única forma encontrada pelo público para demonstrar seu descontentamento.
Sabiá - Tom Jobim com Cynara e Cybele_ https://www.youtube.com/watch?v=AlYRPNf7su0


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Sarau Literario Piracicabano uma amostra da diversidade artística da cidade e região. Noite de gala no Museu Prudente de Moraes!



Leandro Silva e Gustavo Augusto Molinari na interpretação musical...ao fundo Lucas Rodrigues Domingues os músicos de Ribeirão Preto que nos presentearam pela noite...encantada!
 
A bela professora, coreógrafa e dançarina Josiane Longato
 
Cia Pimenta de Teatro com Livia Spada E Benedita Giangrossi
 
Casal de Poços de Caldas Ondina e Juraci declamam seus poemas.
 
Romualdo (Roma) Sarcedo interpreta um poema de Fernando Pessoa.
SEM A COLABORAÇÃO; COMO PODERIA ACONTECER UM SARAU?

AGRADECIMENTOS:
## 39) SEMAC (Secretaria Municipal de Ação Cultural) em nome de Rosangela Camolese por estar sempre aberta a colaborar com o Sarau Literário Piracicabano

40) Renata Gava diretora do Museu Prudente de Moraes e seus funcionários ( Mauricio Beraldo) pela alegria e gentileza que nos acolhem.

## 41) Grupo Caleidoscópio por dedicar estes momentos inesquecíveis para todos os participantes desta noite de alegria poético-musical e, a todos os nossos amigos empenhados no trabalho do Sarau.

## 42) NUPEC através de Antonio De Paula Junior

## 43) Deffende na pessoa de Ivani Bendassoli Deffende (roupas esportivas), *Biblioteca Municipal de Piracicaba na pessoa de Rosana Oriani por ajudar nas cópias do Caderno do Sarau.

## 44) Gráfica Municipal (Rebeca) pela impressão das cópias do Caderno do Sarau

## 45) Evaldo Valim Vicente da A Tribuna Piracicabana pelos artigos sobre o Sarau Literário Piracicabano, Rosani Abou Adal do Jornal Linguagem Viva, Joacir Cury, da Gazeta de Piracicaba; Jessica Souza do Jornal de Piracicaba, Sabrina Scarpare da Gazeta de Piracicaba

Ana Marly De Oliveira Jacobino em nome dos voluntários do Sarau Literário Piracicabano

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Gilka Machado a poeta das palavras abrasadoras...


Sarau Literário Piracicabano tem a honra de homenagear Heloisa Guerrini Ferraz que esteve presente incentivando desde e no primeiro Sarau em Julho de 2004.

A segunda homenageada é a Poeta dos versos abrasadores Gilka Machado.

Sarau Literário Piracicabano - em 19 de Agosto de 2014 no Museu Prudente de Moraes na terça-feira as 19h30.

A apresentação musical fica a encargo do Trio de Ouro de Ribeirão Preto
Gustavo Augusto Molinari (piano), Leandro Silva (voz) e Lucas Rodrigues Domingues (violão):
Apresentação de dança com Josiany Longatto
Apresentação do ator e diretor Romualdo Sarcedo

Coordenação: Ana Marly De Oliveira Jacobino
 
Heloisa Guerrine Ferraz é diretora do Teatro Municipal Losso Netto e do Teatro Municipal Erotides de Campos
Foto: Conheça GilKa Machado e a sua força, amanhã no Sarau Literário Piracicabano.
Gilka foi eleita "a maior poetisa do Brasil", por concurso da revista O Malho, do Rio de Janeiro.  Para o crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, ela foi "a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma"
 
SER MULHER...
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

 Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

 Ser mulher, e, oh! atroz, tentálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais! 
Conheça GilKa Machado e a sua força, amanhã no Sarau Literário Piracicabano.
Gilka foi eleita "a maior poetisa do Brasil", por concurso da revista O Malho, do Rio de Janeiro. Para o crítico Péricles Eugênio da Silva Ramos, ela foi "a maior figura feminina de nosso Simbolismo, em cuja ortodoxia se encaixa com seus dois livros capitais, Cristais Partidos e Estados de Alma"

SER MULHER...
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida; a liberdade e o amor;
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...

Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor;
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um senhor...

Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...

Ser mulher, e, oh! atroz, tentálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
 

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Os Possessos com Elif Batuman e Vladímir Sorókin na FLIP 2014

Os Possessos com Elif Batuman e Vladímir Sorókin na FLIP 2014


A entusiástica fala de Paulo Werneck, ao iniciar a mesa me deixou num grande aforismo, afinal, tenho interesse na literatura russa;

“Alegria de ouvir o idioma russo pela primeira vez nessa tenda.

A mesa teve a mediação da conversa entre Elif Batuman (uma jovem de descendência turca, nascida nos Estados Unidos da América, filha de médicos pesquisadores residentes nos USA), junto a Vladímir Sorókin (alguns livros publicados, tais como: romances, peças teatrais e libreto de ópera, formado em engenharia e, uma das grandes vozes da Rússia no momento) na quinta-feira (31/08/2014) feita por  Bruno Gomide.

Anotei uma fala que me aproximou ainda mais do debate do escritor russo (um tanto tímido, mas de uma fala critica, veemente). Vladimir diz que a literatura como um todo vive no silêncio!
— Um filósofo espanhol disse, certa vez, que a vida é um tiro. Eu diria que a literatura também é, mas um tiro silencioso. Você não escuta nem sente a bala entrando em você, mas, uma vez que acontece, torna-se uma pessoa que começa a descrever o mundo a sua volta. Vladímir Sorókin recebeu com empatia os aplausos dos participantes ao ler trechos de sua peça teatral _Dostoievski-Trip.
“Ele conta a história de um garoto e seu irmão, cujo avô foi vítima de uma bomba, o pai morreu no front e a mãe morreu de tifo. O menino e seu irmão, ficaram sozinhos morando nas ruas. Eles comiam qualquer coisa para sobreviver: trapos, lascas de madeira, sapatos velhos e viam pessoas morrerem de fome e frio pelas ruas. Essas crianças  ao serem “cuidadas” por Peixe (um personagem fora da lei), que, as orienta a recolherem “bundas” de cadáveres (mortos de fome e frio pelo regime), para dar para á sua mulher fabricar hambúrgueres para vender para os esfomeados (com pouco dinheiro). À noite no retorno para o esconderijo, a mulher trazia pão e tabaco para o bando se alimentar. A história se desdobra com a saída do irmão em busca de uma agulha sem retornar. Muito tempo depois, ele sonhou com o irmão mostrando-lhe a agulha, dizendo-lhe:
_”Nesta agulha há 152 bundas!“ Em seguida, o morto pica a mão do irmão, que começa, desde então, a escrever.
Vlademir por ser um crítico ferrenho do totalitarismo russo mostrou sua preocupação no retorno a sua pátria. 
Elif Batuman debate:
“A literatura russa tem uma reputação trágica, principalmente fora da Rússia. O humor é mais difícil de traduzir. Os romances e os nomes dos personagens são longos e trágicos. Acho que a comédia se perde um pouco com os nomes longos demais. Mas é um humor humano, que não é cínico, como o francês, nem leve, como o inglês. É uma forma mais sofisticada de humor, engraçado e triste ao mesmo tempo.”.
“Os possessos”, da escritora se torna uma analogia à uma antiga tradução de “Os demônios”, de Dostoievski, já, Sorókin lança na Festa Literária, “Dostoiévski-Trip”, sobre um grupo de junkies consumidores de drogas que correspondem aos universos de grandes e médios autores.
Vladimir conta sobre sua experiência como leitor e estudioso de Dostoievski , desmitificando a genialidade do escritor:
“— Dostoiévski escrevia muito rápido, porque precisava ganhar dinheiro, e suas obras eram praticamente rascunhos, muitas não eram nem relidas. É um estilo muito pesado, que acaba se perdendo na tradução, já que muitos tradutores melhoram seu estilo. Apesar de ser consagrado mundialmente, muitos, como (Vladimir) Nabokov, o odiavam. De fato é muito trabalhoso ler Dostoiévski. É uma carnificina psicológica e de estilo. Ele faz do leitor carne moída.”.
O russo fala da dificuldade de escrever nos tempos do regime soviético:
“A literatura foi proibida e nós escrevíamos para guardar na gaveta. Escrevíamos para os amigos ou com a esperança de ser publicados nos exterior. No estado totalitário não tem oposição, tem dissidentes. Na Rússia, infelizmente isso está retornando. Os oposicionistas de hoje se tornaram dissidentes. Vivi e sobrevivi ao totalitarismo e não gostaria que esse defunto do passado submergisse. Muitos dos romances em que a literatura foi usada apenas de forma política ficaram datados e não sobreviveram à sua época. Pessoas como Putin (o presidente russo Vladimir Putin) vêm e vão. O romance fica.”.
Vladímir Sorókin foi apaludido entusiasticamente pelo público presente na FLIP.
Encontro pelas ruas de Parati com Vladímir Sorókin...uma surpresa alegre!


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Frei Betto e Claudia Nina na Casa Rocco na FLIP

12º ª Flip em Paraty 2014
 
Casa Rocco em Paraty
 
 Frei Betto, Guiomar Grammont, Claudia Nina

                 Frei Betto e Claudia Nina na Casa Rocco na FLIP_ Ana Marly De Oliveira Jacobino
Claudia Nina autora de “Paisagem de porcelana” (Rocco) dá inicio a sua fala dizendo estar emocionada em partilhar uma mesa literária com Frei Betto. Logo uma questão é posta por Guiomar Grammont, mediadora da mesa literária, sobre a visão da memória no seu livro em que o enredo esta situado na Holanda, Claudia conta:
“__ A construção da identidade da personagem Helena uma brasileira que mora na Holanda, se faz pela sua desconstrução, como um quebra-cabeça ao contrário, em vez de montar, desmonta-se. Até o nome, que seria uma das peças deste jogo, por exemplo, é um desenho que se coloca e depois rapidamente, se perde.
A autora lembra que ninguém na Holanda pronuncia o nome da personagem a não ser Peter, o seu namorado. A desestruturação (esquecimento) se faz também com o seu rosto, pois, Helena por ser de baixa estatura não se reconhece nos espelhos (holandes e muito alto, mesmo na ponta dos pés ela não vê seu rosto ), e, só reaparece no final.
“— A memória no meu livro é aquela que tenta recuperar o passado, mas deixa pontos obscuros para poupar nossa saúde mental”.
Frei Betto foi enfático ao dizer na sexta-feira (01 de Agosto) na Casa da Editora Rocco, por sinal, uma bela casa-sobrado na área central de Parati pontilhada por suas janelas e portas grandes com as vergas curvas em madeira maciça, e, um jardim repleto de plantas com flores avermelhadas no quintal, balançando, tal qual, bandeirolas do Divino Espírito Santo, ao vento frio da tarde. Ali me senti em pleno Brasil Colônia não fosse à fala do frei teimando em me acordar deste rememorar histórico:
“— Eu sou um memorialista, graças aos generais brasileiros! Comecei com “Cartas da prisão” e depois fiz “Batismo de sangue” e “O diário de Fernando””.
Frei Betto olhando para o público atento continua: ”Tenho preocupação de combater o “memoricídio”, o esforço de se apagar a memória de um povo.”
Questionado pela simpática mediadora Guiomar de Grammont sobre a criação dos seus personagens, ele, explica:
“__ Ao escrever um romance, somos todos personagens em busca de um autor talentoso. Do alto de nossa onipotência, criamos homens e mulheres, animais e robôs, na esperança de que a qualidade literária conceda a eles vida própria e plena sintonia com o fio narrativo.”
“__Julgo que não existe perda de identidade de personagem em meu romance “Aldeia do silêncio” (editora Rocco), o protagonista sequer tem nome, no entanto, a aparente falta de identidade é o que o identifica”.
Gostamos de ouvi-lo contar sobre uma das suas experiências nos quatro anos na prisão, no Regime Militar.
“— Quando fui preso comum, não se podia ter espelho na cadeia. E você não tem memória do próprio rosto. Cansei de ver presos pedirem consulta com um médico só para se verem no espelho que ficava no corredor próximo a sala de consultas!”
Claudia Nina

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Millôr e a arte brasileira

Millôr e a arte brasileira_ Ana Marly de OLiveira Jacobino

Millôr Fernandes foi o homenageado da 12ª edição da Flip. A abertura aconteceu na quarta (30/7), com uma conferência do crítico de arte e curador Agnaldo Faria, que coloca o Millôr dentro da arte brasileira., Após a sua preleção inicial, três admiradores do autor encontram para lembrar sua vida e obra: os cartunistas e humoristas Hubert, Jaguar e Reinaldo

            Millôr Fernandes, é um tipo de pessoa que não é chamado para congressos, não é eleito para academias, não está listado entre os cidadãos úteis da República, um sujeito que não planta, não colhe, não estabelece regras de conceito ou comportamento”. Acredite leitor, o autor desta frase, foi o próprio Millôr.
            Millõr foi reconhecido por sua genialidade e por desenvolver frases nem um pouco ortodoxas como: "O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo"; “Celebridade é um idiota qualquer que apareceu na televisão”; “Chato é uma pessoa que não sabe que “Como vai” é um cumprimento, não uma pergunta”.
Cartunista, jornalista, teatrólogo, romancista, roteirista, tradutor de grandes mestres da literatura, como Shakespeare e Ibsene; Millôr Fernandes, conhecido e reconhecido como o “Guru do Méier”, morreu em 2012.
Particularmente, gostei muito da intervenção do crítico de arte Agnaldo Farias na sua abordagem sobre a importância da obra de Millôr para a arte brasileira, ele, levou várias delas para mostrar para os participantes da mesa de abertura. Agnaldo Farias destacou o valor da obra de Millôr para a arte brasileira. Farias contou sobre a erudição e a ironia, elementos sempre presentes na obra gráfica de Millôr, e, foi mais além ao mostrar no telão obras de Millôr e de vários artistas renomados como; os espanhóis Miró, Picasso, o suíço Paul Klee, entre outros, comparados aos traços do homenageado. O crítico classificou alguns cartoons mostrados na palestra de 'pura poesia visual'.
Na mesa Millormaníacos, assisti os humoristas Hubert e Reinaldo (ex Casseta e Planeta que começaram a carreira no Pasquim, entrevistarem Jaguar).
O humorista Reinaldo Bastos saiu com essa pérola: “No meu tempo não tinha Harry Potter, então, lia Millôr quando criança e sou o que sou também graças a ele”.
Eu ri com Jaguar quando contou que Millôr não foi preso junto aos demais integrantes durante a ditadura, pela publicação do jornal “O Pasquim”, devido ao carro dos milicos estar lotado, com os outros presos. “Felizmente, tudo aqui é uma esculhambação, inclusive a repressão. Então disseram que iam voltar para prendê-lo e como ele era um cara brilhante não ficou para esperar. O Millôr foi o cara que mais admirei na vida. Era o maior intelectual, maior escritor, dramaturgo.”
Gostei muito do que assisti e ouvi sobre o Millôr a quem já tinha admiração!
 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Mesa 1 na Flip 2014: Poesia & Prosa

Um pouco do que assisti e anotei para poder partilhar com todos vocês. Ana Marly de Oliveira Jacobino

Mesa 1 na Flip 2014: Poesia & Prosa
Mostrar que as fronteiras entre prosa e poesia podem acontecer sem a importância que muitas vezes fazem os estudiosos no assunto na demarcação tanto de uma, como da outra, no gênero literário foi o tema em torno do qual três escritores de diferentes gerações e vertentes criativas abordaram na Flip: Charles Peixoto, Eliane Brum e Gregorio Duvivier.

            A jornalista Eliane Brum me marcou pela sua escrita e pelos seus comentários ao falar que, a poesia a pegou, primeiro pela palavra oral, nas suas indas e vindas como jornalista pelo Brasil, através das histórias que ouvia. Uma delas, que fiz questão de anotar, foi a de, quando, ela perguntou a uma mulher, o que uma parteira fazia e ouviu: “A parteira é chamada a povoar o mundo nas horas negras da noite.”
            Um tanto emocionada ela nos contou que, para uma de suas reportagens, acompanhou por 115 dias a vida de uma senhora com um diagnóstico de câncer: incurável. Testemunhou, o seu morrer para escrever uma história que a doente não leria. “Eu queria que aquela reportagem acabasse o mais rápido possível porque era brutal demais, mas ao mesmo tempo eu não queria que acabasse porque seria o fim dela”, relata. Foi à poesia que a ajudou neste tempo de questionamentos. “Há certas realidades que precisam ser inventadas para serem suportadas”, nos falou Eliane, foi a partir deste fato que ela, iniciou a escrita do seu primeiro livro, ao  terminá-lo, estava “dilacerada com a experiência da ficção”.
            Brum confessa fazer um pacto com seus personagens, o de contar a história delas e transformar o silêncio em palavra escrita. Hoje sabe que a palavra não pode salvar e é insuficiente para dar conta da vida. “Essa é a tragédia, e essa é a graça.”
            A jornalista num momento emociona toda a platéia ao contar ter conhecido uma menina com olhos de velha, a Sonia, numa das suas viagens a um país da América Latina; “E nós jornalistas que quando encontramos uma criança com olhos de velha é porque aconteceu um crime ali. Sonia respirava a morte porque a morte respirava dentro dela. Antes de voltar para o Brasil, ela me agarrou e disse: não me deixe morrer.” Foi um confronto com a impotência e ali Eliane entendeu que carregaria sempre esse sentimento.
A seguir, particularmente, não gostei da colocação de Gregório Duvivier, encontrei nas suas palavras ironia ao mencionar: “Sou só um cara com um canal no Youtube e estava ao lado de Brum, ganhadora de todos os prêmios jornalísticos, pessoa que salvou populações ribeirinhas, mulheres.”
Gregório disse ser leitor da obra de Millôr Fernandes em quem reconhece, sem sombra de dúvidas, como em Chaplin e Buster Keaton, o caráter de "humanidade". Relendo a obra de Millôr, disse estar impressionado com a sua atualidade. "Millôr não envelhece porque seu humor está cheio de poesia e humanidade".
O carioca Charles Peixoto foi um dos poetas marginais responsável pela criação do grupo Nuvem Cigana, que reunia pessoas interessadas em criar para diferentes meios, de forma coletiva e individual. Peixoto está lançando um livro depois de mais de suas décadas de silêncio. “Fiquei decepcionado quando fiz o “Marmota” e vi que estava matando árvore para dar de comer a cupim”.
“Continuei escrevendo, é um impulso. Espero que dê certo dessa vez, que alguém compre, que ele não encalhe todo”. Poeta marginal, ele disse que, talvez agora estejam vendo que aquilo, o que faziam era tão ruim. Penso que ao falar de improviso ele mostrou desdenhar da sua ida a Flip.  Terminou fazendo uma referencia sobre a vendagem de Paulo Leminski:
“Leminski é um mistério. Não sei o que ele fez lá em cima. Não consigo entender, vender 100 mil exemplares de um livro de poesia é uma loucura.”