sábado, 20 de agosto de 2016

Luís Gama o rábula-poeta da liberdade...


Luis Gama nasceu em Salvador, filho de um fidalgo português e da africana Luiza Mahin. Aos dez anos, para saldar dívidas de jogo, o pai o vendeu como escravo. Veio para o Rio de Janeiro e dali foi vendido para um fazendeiro paulista que acabou dando ele chances dele estudar, e se tornar um advogado autodidata, se revelando, assim, um dos mais brilhantes de sua geração.
Com a decisão recente da OAB de torná-lo advogado nesses últimos dias, a decisão é atrasada, mas expressa luta da militância pelo reconhecimento de seus grandes ícones.

São Paulo, um dia novembro de 1869.
Um escravo, Jacinto, fugira do cativeiro de Minas Gerais. Busca a alforria na justiça. Bateu na porta da residência de Luiz Gonzaga Pinto da Gama(1830-1882).
Este se anunciava nos jornais como “defensor perante aos tribunais da causa da liberdade”.

                                 Dos escravos.
Que os defendia gratuitamente.
Na época, o escravo Jacinto dissera a Gama que seu cativeiro fora ilegal. Isto porque chegara ao Brasil após a lei de 7 de novembro de 1831.
Esta lei proibia o tráfico de escravos.
O juiz Rego Freitas argumentou que a ação de liberdade deveria ser proposta no município de origem do suposto senhor do africano. Gama em petição referendou os termos anteriores de sua ação de liberdade para Jacinto.
Classificou, então, o despacho do Rego Freitas, de “ofensivo da lei”. Chamou o escrito do juiz de “fútil despacho”. O juiz, resolveu processar o insolente advogado negro autodidata- que não cursara faculdade- e chamado de rábula.
Ou seja, um advogado que não frequentara faculdade, tivera a insolência de, em petição, acusar um conceituado magistrado de não ter domínio da lei.
A ousadia de Gama teve um alto preço: a petição feita ao juiz Rego Freitas pedindo ação de liberdade em nome do africano Jacinto rendeu-lhe desemprego do estado e um processo por crime de calúnia.
No entanto, durante o julgamento do processo contra ele, ele mesmo se defendeu. Assim, mostrou o lado obtuso do magistrado e inabilidade do sistema escravista brasileiro. Ele foi absolvido por unanimidade.

A CATIVA _ Luís Gama
Como era linda, meu Deus!
Não tinha da neve a cor,
Mas no moreno semblante
Brilhavam raios de amor.

Ledo o rosto, o mais formoso
De trigueira coralina,
De Anjo a boca, os lábios breves
Cor de pálida cravina.

Em carmim rubro esgastados
Tinha os dentes cristalinos;
Doce a voz, qual nunca ouviram
Dúlios bardos matutinos.

Seus ingênuos pensamentos
São de amor juras constantes;
Entre as nuvens das pestanas
Tinha dois astros brilhantes.

As madeixas crespas, negras,
Sobre o seio lhe pendiam,
Onde os castos pomos de ouro
Amorosos se escondiam.

Tinha o colo acetinado
— Era o corpo uma pintura —
E no peito palpitante
Um sacrário de ternura.

Límpida alma — flor singela
Pelas brisas embalada,
Ao dormir d'alvas estrelas,
Ao nascer da madrugada.

Quis beijar-lhe as mãos divinas,
Afastou-mas — não consente;
A seus pés de rojo pus-me,
— Tanto pode o amor ardente!

Não te afastes, lhe suplico,
És do meu peito rainha;
Não te afastes, neste peito
Tens um trono, mulatinha!...

Vi-lhe as pálpebras tremerem,
Como treme a flor louçã
Embalando as níveas gotas
Dos orvalhos da manhã.

Qual na rama enlanguescida
Pudibunda sensitiva,
Suspirando ela murmura:
Ai, senhor, eu sou cativa!...

Deu-me as costas, foi-se embora
Qual da tarde ao arrebol
Foge a sombra de uma nuvem
Ao cair a luz do sol.
 Na foto a mãe de Luís Gama : Luiza perdeu cedo o contato com o filho. O menino, então com dez anos de idade, foi vendido ilegalmente pelo próprio pai, como escravo, para quitar uma dívida de jogo. Conhecedor de que sua situação era ilegal –
já que era filho de mãe livre -, acabou fugindo e, embora a tenha procurado por toda a vida, jamais reviu Luiza, também fugitiva das autoridades, graças às atividades revolucionárias.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Sarau Literario Piracicabano


                                  Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro
Data: 23 de Agosto (terça-feira) - 19h30
Participação do Conjunto Caleidoscópio com Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe FurlanAna Lúcia Paterniani
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Apresentação da CIA Pimenta de Teatro com Benedita GiangrossiLívia Foltran Spada
Apresentação do Grupo Josiany Shimla de Danças Orientais
Homenageados - Antônio Gonçalves Dias ( escritor e poeta) , Ernesto Paterniani (professor, engenheiro agrônomo , cientista)
Coordenação:  Ana Marly De Oliveira Jacobino

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um beijo poético...

Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
## Vinicius de Moraes

José Dias Nunes influenciou várias gerações de violeiros, como: Almir Sater, Miltinho Edilberto, Ivan Vilela... Entre uma nota e outra marcou vidas, através da poesia de suas músicas! Ivete da Ivete Cunha Machado e José Dias nos acordes da viola fizeram à trilha sonora da vida bem mais interessante, bem mais calorosa, bem mais encantadora! Traduziram no som da viola, ou, do violão a alegria e o amor!
Sempre o amor pela música fez transbordar em cada um deles o ser amoroso para todos aqueles que, entrecruzam seus caminhos!

“Tenha um pouco de paciência, de que vale vencer uma discussão, se não vai ter com quem comemorar? Perder a pessoa é mais doloroso do que perder uma discussão!”
Este seu jeito de pensar consolidou muitas amizades e Tião Carreiro, mesmo, após, a sua morte ainda continua a ser lembrado por muitos fás e amigos! Enfim, arte na sua totalidade musical e poética é a inspiração para José e Ivete!

O Sarau Literário Piracicabano nestes 12 de Julho de 2016 honrou os nomes de José Dias Nunes e Ivete da Silva Cunha Ivete Cunha Machado na toada poética de Tião Carreiro:
” Duvido que alguém não chore, pela dor da saudade, quero ver quem não chora quando amar de verdade.”

#Publicações feitas no Caderno do Sarau Literario Piracicabano em 12 de Julho de 2016
Náufraga - Ana Marly De Oliveira Jacobino

Esperança; a guardo feito tesouro
Vigiada por nobre cavaleiro templário
Ora, escondida num buraco escuro
Ora, talhada no sino do campanário.

Como nau atracada no ancoradouro
Camuflada ao olhar do cruel corsário
Não quer se ferir_ sente o mau agouro
No tropel do mouro _ homem-sagitário.

Belo é o amor não fosse um vil tirano
Ao possuir numa crueza _ o que venero_
Estrela luzidia no negror dum oceano.

Espelha maresia no olhar _amor sincero_
No abismo profundo explode desumano...
A fonte da juventude _amargo desespero.
Meu belo Ypê amarelo _ Paulo Santos
Aprendi hoje uma lição
Que jamais vou esquecer,
Ao olhar o velho Ypê
Que parecia morrer;
Seco, desfolhado,
Velho e todo esturricado,
Eu, insensível
Pensei em cortá-lo;
Dei-lhe um longo e forte abraço,
Para mim, era a despedida, porém,
Com ele, aprendi como é a vida.
Ele madeira, mostrou-se ser de aço.
Com uma linda flor
Nessa hora me presenteou,
Amarelo vívido, como que me dizendo,
Estou vivo!
Lembra?
Sou seu belo Ypê amarelo!
Chorei ao me lembrar...
Trabalhei por toda minha vida
Acompanhado desse amigo silencioso,
E pude perceber que minha secura
É igual a dele;
Guardação de energia,
Economia de potência,
E que ainda, tanto ele quanto eu,
Teremos nosso dia de beleza,
Assim é a nossa natureza!
Eu sou como o Ypê amarelo,
Tive vários momentos difíceis,
Porém, na hora certa,
Assim como ele,
Poderei mostrar toda minha exuberância.
Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro                  
Data: 23 de Agosto (terça-feira)- 19h30
Participação do Conjunto Caleidoscópio com  Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe Furlan, Ana Lúcia Paterniani
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Homenageados – Gonçalves Dias (escritor, poeta) Ernesto Paterniani ( Engenheiro
Agrônomo pesquisador da área da seleção e melhoramento genético do milho)
Coordenação: Ana Marly de Oliveira Jacobino


domingo, 7 de agosto de 2016

Apesar de tudo é preciso poetar...

Livro de poesia a gente não deve ler de cabo a rabo. Tem de ser assim devagarinho pra que o espírito da palavra encarne na gente. Livro de poesia tem de ser um ir e vir livre: se na metade, volte, porque vez ou outra é bom ver se entendeu/sentiu bem porque a gente se vai mudando conforme vai lendo, e como não se é o mesmo a cada página, vai que o lido acaba revelando mais do que o lido! Eu não tenho pressas de ler poesia. Vou indo como quem bebe água e come, quando o corpo pede que é pra absorver melhor. (Richard Mathenhauer _ escritor e poeta ) 

##Leio poesia em doses homeopáticas... enrolando as palavras na lingua...saboreando... escrevendo alguns versos para digeri-los melhor... volta e meia relendo-os!              Ana Marly de Oliveira Jacobino_ escritora e poeta)

#‪#‎Publicações feita  no Caderno do Sarau Literario Piracicabano de 12 de JUlho de 2006
APESAR DE TUDO! Carlos Roberto Furlan
Julho fulgura! Com ele florescem os ipês, fiéis à sua vocação, numa despudorada e triunfante exaltação à vida. Se, de um lado, há tanta apoteose de verdade e poesia, por outro, a fastidiosa monotonia dos telejornais continuam estampando as oscilações das nossas tristezas ao constatarmos que o nosso tão suado dinheiro escorre, diuturnamente, por inúmeros ralos da ilegalidade.
E nós, do lado de fora, pagamos a conta, armamos o circo, carregamos a lona e as gambiarras, enfrentamos as feras e levamos, nas costas, até o elefante.
Em meio ao alheamento da vida moderna, confesso, me sinto como um malabarista no meu próprio picadeiro. Talvez o que me ampara é a rede estendida por baixo. Sei que ela é tecida por fios fortemente entrelaçados, oriundos do meu genótipo, das minhas crenças, da minha fé, das minhas esperanças, da minha vivência...
É bem verdade que sempre sou chamado a enfrentar inúmeros desafios e a ultrapassar muitos obstáculos; ora com determinação, às vezes desanimando, mais adiante recuperando a coragem, compondo com o imponderável, mas à minha maneira, a trama que certamente resultará numa jornada única, absolutamente singular. Talvez o grande desafio seja encontrar o equilíbrio dessa balança que traz, nos pratos, pontos luminosos e zonas de sombra, trajetórias de altos e baixos que, eu sei, sempre dependerão do que eu souber ou quiser enxergar. 
Por isso, evito carregar pesos inúteis. É melhor largar essa bagagem no meio do caminho, escrevendo a minha história com as tintas da alegria.
São as cores dessa alegria que usamos para preparar cada edição do nosso sarau. E o meu desejo, de coração, é que ela possa ser a mesma que usaremos para encarar qualquer complexidade da vida, no espelho da nossa existência. Então, que a ordem seja: rir mais, cantar mais, ler mais poesias, contar ou ouvir uma boa história, viajar mais, dançar com a vida... Talvez essa seja uma das armas mais eficazes que devemos usar pra enfrentar tempos bicudos. Armas que nos dão asas, que elevam o espírito e nos fazem alcançar um lugar além da tristeza. Um lugar que faz a gente sonhar sonhos que iluminam o nosso céu. E o coração. Porque julho fulgura e os ipês florescem... Apesar de tudo! 

Rebuscando emoções_ Dulce A.S. Fernandez
Seu Camilo foi deixado num asilo. Enfim, não teve escolha. Idosos curiosos apreciam sua chegada. Soluços. Passos magros até a capela. Longo silêncio. Frente a frente com o Jesus Crucificado pendente no madeiro, desfila orações. É convencido a carregar a cruz compartilhada. No seu rosto pálido é aberto um sorriso de paz. Depois de guardar seus pertences no tímido armário do quarto, sobre o fino colchão estira o velho corpo. O vento sopra acariciante, tentando aliviar seus ossos cansados. Ao ajeitar o duro travesseiro, vira a cabeça. Vê um pássaro saltitando no parapeito da janela. De repente, o pequeno corpo plumoso sacode a quietude do aposento com uma doce melodia. A seguir, seu Camilo, pelas frestas de seus olhos semicerrados, vê o balançar cômico do bigode do homem do quadro, que sorri. São místicas emoções para seu coração grisalho. Adormece. Tecendo sonhos, sobrepondo os fios do bigode do homem do quadro, faz uma arapuca. Com a alma impregnada de alegria infantil, brinca de caçar passarinhos...
Causando _ Letícia Vidor de Sousa Reis 
Budista zen
que me faz bem.

Amante de circo
feito criança
chupando pirulito.

Causando
pelas trilhas urbanas
e esquinas paulistanas

E pelas trilhas
e esquinas
do meu coração.
A Música _ Leda Coletti
( Homenagem aos músicos e em especial à querida Professora Ivete Cunha Machado, homenageada desta noite )

A música, das artes, preferida
da parceira fiel, a poesia.
Provém da Luz de Deus e produzida
para trazer a paz, plena alegria.

A pessoa se sente agradecida
ao ouvir sons, canções em sintonia
com o que pensa, faz em sua lida
sonhando um amanhã só de harmonia.

Apreciando instrumentos e corais
as emoções eclodem, são sinais
de alvoradas em novas estações.

Desaparecem mágoas e tristezas
o mundo passa a ter muitas belezas,
a música faz bem aos corações

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Circus


Circus _ Ana Marly De Oliveira Jacobino

Interessante o desenrolar da conversa numa reunião familiar, o vai e vem das palavras reciclam vivências importantes!
Circo!? Ah! Um estouro de alegrias acontecia para a população de uma cidade do interior na sua chegada!
Tempos em que a ingenuidade foi à marca da grande maioria dos cidadãos! A maldade humana não era tão cantada em prosa e verso pela mídia, portanto, a controvérsia, sobre, o uso dos animais numa arena circense não fazia afagos na consciência dos adultos, muito menos ainda na das crianças!
O desfile colorido dos animais e artistas pelas ruas e avenidas da cidade tornava-se um espetáculo a parte! As retinas das crianças extrapolavam as fronteiras óticas para espalmar nas fronteiras coronárias e ir direto para o território da fala!
Cavalos, cães, Chimpanzés, elefantes, leões, ursos..., levados em jaulas coloridas treinavam suas vozes ao som da música, junto, com a voz do locutor! No carro mais alto iam os contorcionistas, equilibristas, mágicos, trapezistas..., eles davam uma palhinha do espetáculo! Os pais ouviam a gritaria histérica dos filhos! Família grande! Dinheiro minguado!
As pessoas seguiam o desfile até o local da grande lona! Colorida sobrepujava por sobre toda a paisagem ao redor! Bandeirinhas tremulavam ao vento, além de esconder os segredos! No picadeiro a terra batida coberta por palha de arroz escondia as dores, fadigas, e, os suóres dos artistas e animais!
Promoção! Sim! Promover o circo para as pessoas participarem dos espetáculos tinha um modo diferente, do que vemos hoje!
Você não pode visualizar todo o histórico circense através deste seu olhar inquisidor, sempre, a procura do erro! Pare! Outros tempos! Outros pensamentos!
Otaviano foi sondar a trupe circense para conseguir um trabalho em troca de oito ingressos para levar a família! Nada! A trupe se incumbia de realizar tudo, desde a montagem, limpeza, tratamento dos animais...!
Olhando para os pés o homem foi saindo..., pesaroso! De repente, o tratador dos leões, o chamou!
“Uma coisa esta sendo pedindo para quem nos procura por ingressos sem custos!” Sugeriu algo para Otaviano, que, sorriu satisfeito!
Outros tempos em que os cemitérios não eram profanados com tanta insanidade! Lá, os mortos, literalmente, descansavam longe dos miados frenéticos dos animais largados ao Deus dará! Insanidade moderna!?!?
Matinê no Domingo! Otaviano tinha em cada uma das mãos sacos de jutas recheados de saltos e pontapés..., seus filhos orgulhosos iam logo atrás do pai olhando os sacos estrebuchar de um lado para o outro num exorcismo temerário!
Otaviano pediu para esperarem perto da bilheteria, enquanto seguia a procura do tratador dos leões! Os sacos trocaram de mãos! Oito ingressos num lampejo de magia saltitam nas mãos de Otaviano!
Aplausos! Gritos! Risos! Aplausos! Tanta magia contida num só espetáculo! Os chimpanzés e os palhaços quase fizeram vir à lona abaixo, através das gargalhadas da platéia!
Os cães bailarinos empolgaram e arrancaram vivas da gurizada!
Intervalo!
Montagem das grades para a entrada triunfal dos leões, e, do domador..., chicote, gritos, urros..., um leão em frente ao domador, outro leão no alto de um cone de madeira pintado de listras vermelhas, ameaçador..., o terceiro leão enterra as suas garras e dentes no chão num olhar feroz ao domador!
Silêncio! Não se ouve nem mesmo uma respiração! Rastifirastifichim... chicoteia o ar! Os leões gemem feitos gatinhos, enquanto, rolam pelo chão no interior da jaula! Mansos, como leões..., é claro!
Aplausos! Aplausos! Aplausos!
Os leões saem direto para as suas jaulas! Domador agradece!
Aplausos!
Intervalo!
A domadora de cavalos assina o final do espetáculo num show de beleza e formação eqüina!
Miguel, o filho do meio, pergunta para Otaviano, ainda, excitado pela magia circense!
“Pai, cadê os gatinhos que o senhor trouxe para o espetáculo!”
A resposta veio rápida:
“Ah! Os gatinhos estão treinando, meus filhos!”

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Noite de muitos encantos...

E a beleza poética da composição invade a música num turbilhão de vozes afinadas... homenagem o Sarau Literario Piracicabano para Ivete Cunha Machado e Tião Carreiro


Já que você pediu aqui vai todas as apresentações musicais do Sarau Literario Piracicabano no dia 12 /7/2016 no Museu Prudente de Moraes...
Grupo Caleidoscópio: Carlos Roberto Furlan (violão e voz) e Suzi Christophe Furlan (voz e timba); Ana Ana Lúcia Paterniani (flauta e voz) em: 
2) Água de beber - Antonio Carlos Jobim / Vinícius de Moraes_https://www.youtube.com/watch?v=aQGBZtfA5bY&feature=youtu.be
##Apresentação do Coral Momento Musical Regente: Ivete da Silva CunhaIvete Cunha Machado - Pianista : Danilo (Chocolate) no Sarau Literário Piracicabano em 21 de Julho de 2016 no Museu Prudente de Moraes em Piracicaba

1) Sapato Velho - Mu / Cláudio Nucci / Paulinho Tapajós_https://www.youtube.com/watch?v=F6SzkWG72R4&feature=youtu.be
2) Sabiá – Luiz Gonzaga / Zé Dantas _ https://www.youtube.com/watch?v=oh_ldoG8dm4&feature=youtu.be
3) Vê estão voltando as flores – Paulo Soledade _https://www.youtube.com/watch?v=3Xj1ncqGOSM&feature=youtu.be
## Homenagem de Ivete Cunha Machado Machado (Violão) Marcela Costa(Viola Caipira) , Sandra Regina Marques(viola caipira) em Pagode em Brasília (Teddy Vieira/Lourival dos Santos)_ https://www.youtube.com/watch?v=Dq7oTGOmB-8&feature=youtu.be
Sandra Marques a homenageada Ivete Machado e Marcela Costa todas musicistas...

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Deixa a poesia lhe levar...

Sarau Literário Piracicabano no Museu Prudente de Moraes em Piracicaba.

 Trabalhos publicados no Caderno do Sarau Literario Piracicabano em 21 de Junho

Despertar _ Dulce Ana da Silva Fernandez 
O coração do poeta
Acordou cedo
Com tímidos raios de sol
Penetrando pelas frestas
Da janela do quarto

Despertou com vontade de cirandar
Embalado pelo som de nova melodia
Arrumou estrofes, trocou rimas
Aspirou o perfume de misteriosas palavras

E nesta ciranda de versos
Encantado, abre a janela
Recebe a luz do novo dia
Agradecido e sorridente
Conta ao mundo que está feliz



Pôr da lua _ José Antonio Soares
Lual ao pôr da lua
até o nascer do sol
minguante crescente aguda
astro rei imperial.
Velhas estrelas cadentes
a guiar o animal
que firma os pés no centro
e se perde no final.
Primitivo firmamento
borrado pelo capital
fumaça com sangue sem mais mangue
destruindo o vegetal.
Narciso falta à Terra,
que sem espelho Elemental
se esquece do profano,
do sagrado e mineral.
Esboço roto de esgoto
finda com o essencial
descasando o humano
de seu ciclo natural
Até quando a aparência
esmagará o essencial?
Pôr da lua.



Bom Dia Cidade! Ana Marly De Oliveira Jacobino -

Com seu olhar perspicaz Machado faz em suas obra uma profunda reflexão sobre a mesquinhez humana, junto à precariedade da sorte humana. Além disso, sua escrita possui uma atitude de escárnio diante do poder constituído no seu tempo!
“Sua timidez e introspectividade foram apontados, segundo Simone (sua biografa), de serem resultantes da dor oculta por ser mulato, estigmatizado pela gagueira e epilepsia, numa sociedade que fez de tudo para não aderir ao trabalho livre. Substituiu a condição humana pela condição literária. Foi um grande escritor. ”
Machado de Assis, mulato que nasceu livre, e se educou pelos próprios esforços, numa sociedade abalada repetidamente por crises sociais, conseguiu ser visto ainda em vida na sua escrita grandiosa! – 
Xilmar Ulisses Xilmar mostra ser um profissional completo,pois carrega as experiências de passar pelos cargos de: operador de áudio, redação, fez locução em estúdio, reportagem de campo na área esportiva e comentários. Por isso, sua voz e sua presença inteligente fazem tanta falta para os seus ouvintes! Bom Dia Cidade é a marca consagrada de Xilmar! Ah! Agora ele também carrega nos seus ombros um pássaro, a bem-te-vi Xiquinha, tratada como “alguém” muito importante por sua querida esposa, Irene, que, abriu as portas da sua casa para Xiquinha entrar e ficar a vontade!
“Todos os dias eu saio para caminhar e ela vai me seguindo, voando na fiação dos postes. Me acompanha por algumas quadras e depois vai voar por aí. A todo instante vem em casa, come, toma água e sai. À noite vem dormir aqui”,
O Sarau Literário Piracicabano nestes 21 de Junho de 2016 tem a honra de homenagear estes dois nomes da cultura brasileira erguendo uma taça de espumante para brindar as suas realizações, com uma frase de Machado de Assis:

“Eu não sou homem que recuse elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são as dos jantares em que sou brindado.”

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Com açúcar com poesia...

                                          Professora Ana Marly, bom dia!
 Recebi da parte da D. Irene, que me representou no ultimo dia10/05, o excelente material do Sarau e o CD. Quanta emoção! É nítido o cuidado, o amor e a atenção com que ele foi elaborado. Que homenagem emocionante e sincera ao nosso saudoso Almir!
Muito grata por toda a sua dedicação. Lamentei profundamente não poder estar presente, em função de estar cuidando de uma Herpes Zoster que me acometeu e debilitou bastante. Graças a Deus, já estou bem melhor.    
Fica, pois, a minha palavra de gratidão e de amizade, por sua significativa homenagem, que muito nos comoveu. Receba o meu forte abraço,

Susana Maia e filhos. 

##Publicados no caderno do Sarau Literário Piracicabano de 21 de Julho de 2016
  
O CAFÉ, O BULE E AMOR Angela Sega
"Mariana fez café, preto, forte e docinho, cheiroso, encorpado.
Mariana fez um café no capricho para o seu amado.
Tem bolo de fubá, leite fervente, manteiga fresquinha e pãozinho macio.
A mesa está posta com esmero, com carinho fino e sincero.
No centro há um vaso, de uma só flor margarida, combinando com a toalha florida.
Mariana fez café, fez geléia de maracujá, morango e maçã.
Tem queijo bem branquinho, tudo tão limpo e arrumadinho, esperando seu amor chegar.
Mariana, com perfume de laranjeira, moça brejeira e carinhosa, de ancas largas, curvas sinuosas, seios fartos e puros.
Mariana, pele morena, da cor da nossa terra, cor da canela, sabor picante do cravo.. Cheirando a sol e maresia, brilhante e formosa.
Mariana fez café, fez amor tão enternecida e dormiu tão distraída que não viu a noite chegar. Fartou seu amor com comida, com carinhos e dengos, se fez mulher e menina, mulher-dama, inocente e gentil.
Mariana, doce dona de um olhar de matar, v erdes olhos como folhagem, cheios de sonhos de mar.
Mariana descansa, esquecida do tempo a passar, dorme calmamente de tanto amar.
Mariana fez café para seu amado que a contempla, encantado, deslumbrado e saciado, ela é a flor mais linda. Moça pobre, afeita ao trabalho duro, mas sabe fazer um homem sonhar.
Mariana fez café, toda a vizinhança sabe que Mariana vai vadiar, vai fazer seu homem vibrar, saciando sua fome, alimentando sua vida, aquecendo o coração, incendiando de paixão.
Mariana está na preguiça, sonha com seu homem, com seu mundo, esquecida das dores passadas, feridas e mágoas.
Mariana coou o café e os dissabores, amassou o pão e largou todo o passado para trás, aqueceu o leite e apagou a tristeza.
Mariana fez café e novamente se deixou amar.
Mariana, Mariana, tua garra me emociona, quero com você aprender a sonhar e o passado enterrar bem fundo e como você, dele não me lembrar."
O pastar da boiada _ Mauricio Generoso
De manhãzinha, 
debruçado nesta velha porteira, fico aqui calado só a observar 
os passos longos da garça-boiadeira, que, seguindo o pisotear do gado, sacia sua fome com os insetos que revoam do capim.
Um bando de anu-preto
aguarda o momento de pousar sobre o dorso dos bois, para livrá-los de seus parasitas.
E como é grande a coragem
do anambé-de-capuz
que, empoleirado na orelha do gado, retira com cuidado seu alimento.
Houve-se um gritar,
é o gavião-carrapateiro,
que no lombo do gado
vai se banquetear.
Hace dano querer como te quiero, porque,
hasta el alme se me torna esquiva,
vivo entre suenos y esntre suenos muero
sin que la paz del corazón reviva,
------------------
hace dano querer como te quiero, porque,
tenerte con-migo, es falza esperanza,
mi lecho y brazos están vcíos,
yo no consigo calmar mis ansias ni,
apapagar el fuego de mi amor tardío.
------------------
hace dano querer como te quiero porque,
tu olvido apagó el sol de mis días,
mi corazón de dolor se muere, mi soledad,
está desprotegida.
--------------------
hace dano querer como te quiero porque,
vivo solo para amarte,
deja que te quiera, déjame sonarte.
Para que la paz de mi corazón reviva.
                                                              ** Angela Reyes Ramirez
Amor levado da breca Letícia Vidor 
Quando tu
piscas pra mim
meu coração
bate forte,
feito um tamborim.
Pouco a pouco,
tu me conquistas,
mas não dou na vista
e nem deixo pistas.
Quando tu me vês
e abre aquele teu
sorriso maroto de garoto, tu me deixas em alvoroço.
Teu jeito despojado de ser
me apraz, me faz sorrir
e só faz crescer o desejo
que sinto por ti.
Quando te vejo
em tua bicicleta
me dá vontade de
fazer amor contigo,
um amor levado da breca.