sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Duas histórias de paixão pela palavra e pela arte


Duas histórias de paixão pela palavra e pela arte _ Ana Marly de OliveiraAna Marly De Oliveira Jacobino
Tive a honra de estar presente no lançamento do livro “Frei Paulo Maria de Sorocaba vida e obra” um trabalho de muita pesquisa de Cassio PadovaniMartins Pereira, numa noite de sexta-feira, 22 de Agosto de 2012, aqui no Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes. Ele revela, na biografia do religioso, que ensinava artes plásticas gratuitamente, curiosidades e depoimentos de discípulos e alunos trazendo, ainda, uma análise dos trabalhos feitos pelo frei, o primeiro a ensinar a pintura de paisagens ao ar livre na cidade. 
O autor fez um trabalho admirável de pesquisa sobre o frei desde 1988, mas, em 2005, resolveu retomar o projeto. Todos nós ganhamos com a sua iniciativa! Conhecia a vida do frei capuchinho pelas conversas com meu pai e com um dos seus discípulos. Os elogios sobre a sua vida foram sempre marcados por lembranças adocicadas pela sua arte em espalhar as cores, vistas pelos olhos da sua alma linda!
Enfim, a história dos homenageados de hoje é partilhada com todos vocês, para mostrar que, trabalhos tão diferenciados são conhecidos e reconhecidos como atemporais, pelos olhos dos seus leitores e apreciadores das belezas compostas nas telas da vida de cada um.
Sérgio Porto publicou, sob um dos melhores pseudônimos já criados: Stanislaw Ponte Preta. Misterioso, dava nome e sobrenome aos irônicos, sarcásticos, cínicos e muito bem humorados textos. Criou personagens folclóricos no jornalismo brasileiro, como a Tia Zulmira, uma velhinha careta e saliente, que apontava o dedo para as “modernidades” da vida e soltava tiradas filosóficas sobre o cotidiano. Mas, o mais destacado dos personagens foi ele mesmo, o “Lalau”, que de tão conhecido, chegou a ser tratado pelo apelido. 
Criou uma frase célebre que tão bem expressa a sua visão pela história brasileira, sempre tão atual: “Quando estamos fora, o Brasil dói na alma; quando estamos dentro, dói na pele”.

Parte do publico do sarau Literário Piracicabano de 20 de Setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Você já foi a um sarau:

                                                Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro
               Data: 20 de Setembro (terça-feira) - 19h30


Participação do Conjunto Caleidoscópio com Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe FurlanAna Lúcia Paterniani
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Apresentação da CIA Pimenta de Teatro com Benedita GiangrossiLívia Foltran Spada
Contação de história por Evair Sousa
Homenageados – Stanislaw Ponte Preta (escritor, jornalista) , Cassio Padovanii (escritor, professor)
##Trabalhos a seguir foram publicados no Caderno do Sarau Literario Piracicabano de 23 de Agosto de 2016

Lua Alada - Eleni De S. Prado
Lua ! Que clama para o amor;
Beija a noite em seu esplendor.
Saúda a Terra! faz brotar a semente...
Exalta paixões e inspira por todo sempre.
Os mistérios do Luar;
Põe-se o homem a sondar;
Deita os olhos na imensidão.
Sente a alma, pousar no coração...
E quando ao pisar nesse chão;
No desvendar dos segredos, quase tem alusão.
De pairar sobre o fluxo, Divino do Amor,
Na velocidade alada do beija flor.
Oh!! Lua, Lua
Que representa magia, desperta emoção;
E os poetas! A Ti faz comunhão...
Seja, ao compor verso e prosa,
Ou, entoar uma Linda!!! Canção.

Sina de um peão
Vendo da janela, lá adiante 
passa uma boiada no estradão, 
Fico ouvindo o toque do berrante, o bramar do gado e os gritos dos peões.
Me bate uma saudade!
De quando eu ajuntava minhas traia e enciava meu cavalo e saia pro mundão de meu Deus.
Tocava o gado com meus parceiros, cercava o gado quando estourava,
Corria atrás de garrote,
Atè laçava boi em meio a boiada.
Moço!!!
Naquela tarde de janeiro, ao laçar o trigueiro, minha mão se prendeu,
arrastado e pisoteado, sem poder fazer nada, me restou esperar.
Com os olhos embaçados, sem poder fazer nada, só ouvia lá longe,
o ponteiro tocando o berrante, avisando do acontecido pra peonada.
Hoje aqui preso à esta cadeira de rodas,
só o que me resta é a saudade do tempo que eu era peão de boiadeiro.
## Mauricio Generoso


O tempo passa num vôo alucinante
Os momentos lindos e feios se vão
E preciso amar e viver cada instante como se fosse o ultimo
Amar sonhar abraçar e beijar enquanto se tem tempo
O tempo pode ser cruel depende apenas o que fazemos dele
Vamos amigo dance e cante
Brinque de ser feliz # Angela Sega

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Eu morro de amores pela poesia! E você?

##Publicaçôes feitas no Caderno do sarau Literário Sarau Literario Piracicabano de 23 de Agosto de 2016

Ranhuras do tempo - Dulce Ana da Silva Fernandez 
Hum!
Manhã de nuvens escuras, fugídias;
Borboleta de tarja negra
Entrou pela janela da sala de visitas.
A seguir, vento forte, tresloucado!
Bate as janelas,
Bate as portas,
Golpeia teias de aranha,
Derruba pó de picumã,
Empurra o vaso de flores...
Será? Algum aviso antecipado?
Pois é:
Sempre que o vento
Cantava furioso,
Despertando a genésica semente
Minha avó, com dedos trêmulos,
Silenciosa, persignava-se;
A tristeza baixava sobre ela:
Sabia da existência de coisas estranhas
Nas engrenagens do destino.
E o vento arranhava o chão
À procurar de mortos.
E, na caixa fúnebre dos acontecimentos,
Surpresas!
Entristeciam o viver.
O tempo enfileirando anos;
mas, enroscados em crendices,
Aprendemos a decifrar
Dentro da noite escura como corvo:
Miados longos de gatos;
Uivar triste de cães;
Fitas para amarrar pesadelos...
E, quando o silêncio se derrama,
para além do relógio do tempo
Há quem fale com os mortos...
Na trilha empoeirada do viver, saudades
Flutuam como essência volátil:
Lágrimas derramadas, orações apressadas,
Que atravessaram noites e madrugadas.
Por quê? Na busca de significados:
Tantos enigmas, tantas perguntas?


NA DÚVIDA... - Marieli Sbravatti Mari Sbravatti
Crase? Na dúvida, não use
Casaco? Na dúvida, leve.
Batom? Na dúvida, retoque.
Gasolina? Na dúvida, abasteça.
Mensagem? Na dúvida, delete.
Cabelo? Na dúvida, prenda com um coque.
Esmalte? Na dúvida, o clássico vermelho.
Banheiro? Na dúvida, visite antes de sair.
Roupa? Na dúvida, um pretinho básico.
Perfume? Na dúvida, o mais suave.
Jantar? Na dúvida, uma massa ao sugo.
Amor? Na dúvida, não é amor.


Tem choroLetícia Vidor
Tem choro à toa
quando ouço Bethânia
declamando a história do Menino Jesus
de Fernando Pessoa.

Tem choro chorado
quando me deleito
com Alessandro Penezzi
dedilhando um choro rasgado.

Tem choro sentido
quando escuto Mônica Salmaso
cantando o marido traído:
“No sonho de quem você vai e vem

com os cabelos que você solta?
Que horas, me diga que horas,
me diga que horas você volta?”

Tem choro doído
ao me lembrar que
quando eu tinha 14 anos
meu pai saiu de casa
sem me falar
que era em definitivo.

Tem choro dolente
de quando perdi
meu amor adolescente.

Tem choro apavorado
quando temo e tremo
só de pensar em passar
por outro episódio depressivo
daqueles bem brabos.

Tem choro mansinho
quando caminho
pela beira do rio
e me lembro do bem
que aquele moço me faz.

Tem choro ao me recordar
de quanto tempo
passei sem conseguir chorar.


Amor, sons da vida... - Celso Gabriel de Toledo e Silva _ Cegatosí Boaratti
Proibidos, é o que somos, por causa de nosso recíproco gostar,
Quis assim o destino conosco, o amor, mas não a proximidade,
O compartilhar de sentimentos aos quais nem sempre são visíveis,
O prazer das emoções que se fazem imaginação e não palpáveis;

Tudo se fez do nosso primeiro contato e por fim nem percebemos,
Contudo o tempo pouco a pouco foi nos aproximando e nos unindo,
Não somos reais no contato de pele a pele, mas verdadeiros d’alma,
Vivemos, pois d’um afeto ora virtual que só a nós e a vida pertence;

Há em nós a consciência, muito mais ao desejo da pura felicidade,
Haverá quem pense que o que vivemos é obsceno, quase um crime,
Engana-se ser um desalinhar de paixões, é o ‘cantar’ de dois corações;


Somos ‘guitarras’ que esperam pelo toque das mãos certas, permitidas,
Somos ‘músicas’ que dia a dia cada qual aprende a letra d’outro e seus significados,

Somos ‘versos’ em prosa, rimas de ousadia e êxtase, excitante poesia.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Stanislaw Ponte Preta no Sarau Literário Piracicabano

O sol nasce para todos. A sombra para quem é mais esperto.
Stanislaw Ponte Preta

Stanislaw Ponte Preta é o pseudônimo do escritor Sérgio Porto,  filho de Américo Pereira da Silva Porto e Dulce Julieta Rangel Porto, o carioca Sérgio Marcus Rangel Porto, mais conhecido pelo pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, foi escritor, radialista e até compositor. A carreira no jornalismo começa no fim dos anos 40. Porto trabalha nas revistas “Sombra” e “Manchete”, além de atuar nos jornais “Diário Carioca”, “Tribuna da Imprensa” e “Última Hora”.
Stanislaw Ponte Preta nasceu de uma parceria com o ilustrador Tomás Santa Rosa. Enquanto Sérgio escrevia as crônicas críticas, Santa Rosa desenvolvia a ilustração do personagem. A inspiração veio de um personagem do modernista Oswald de Andrade, o Serafim Ponte Grande.

um jornalista, cronista e redator de programas para a televisão. Antes da profissão de escritor, Porto foi também bancário. Como redator, demonstrava cuidado com as palavras, colocava muitas informações no texto.
Crítico usava o cômico para tratar de assuntos polêmicos e politicamente incorretos. Chegou a eleger “As Certinhas do Lalau”, uma lista com as dez mais bem despidas. O escritor acabou sendo considerado mulherengo.
Assinando com o próprio nome, Sérgio Porto escreveu textos com certa melancolia. Apostava na clareza e buscava informar de forma leve. Porto morreu com apenas 45 anos. O escritor era cardíaco e sofreu um ataque do coração. O primeiro infarto foi aos 36 anos.


Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro
Data: 20 de Setembro (terça-feira) - 19h30
Participação do Conjunto Caleidoscópio com Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe Furlan, Ana Lúcia Aninha Paternianii
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Apresentação da CIA Pimenta de Teatro com Benedita Giangrossii, Lívia Foltran Spada
Contação de história por Evair Sousa
Homenageados – Stanislaw Ponte Preta (escritor, jornalista) , Cassio Padovani (escritor, professor)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A Alegria como Valorização da Vida - Leda Coletti

A Alegria como Valorização da Vida - Leda Coletti
(Homenagem à amiga Wilma Godoy de Almeida _ Fundadora da Associação Viva a Vida)

Há realmente homens e mulheres, que nos demonstram as características marcantes de suas personalidades, pelas reações comportamentais. Perto delas sentimo-nos à vontade, espontâneos. Diria mesmo, são oásis no meio do deserto. E como é bom partilhar de suas companhias!Assim é a cara amiga!

Muitos a conhecem talvez mais no presente. Eu tive o privilégio de sua convivência num espaço pequeno de três anos, mas suficientes para traçar seu perfil de mulher com beleza interior profunda, a qual, tenho certeza não passou desapercebida por ninguém que teve a sua companhia, naquele período.

Conhecemo-nos no tempo do magistério e em escola carente de periferia. Foi mestra de alfabetização, e que mestra! Escolhia sempre a classe dos mais pobrezinhos. E aquelas crianças que chegavam com roupas sujas, rasgadas, cabelos despenteados, tornavam-se por momentos, reis e rainhas, exibindo vestuários limpos, modernos, que ela muitas vezes confeccionava com suas mãos de fada. E assim aprendiam as primeiras letras, maravilhados com as ilustrações na lousa, em cartazes, figuras mimeografadas de bichos, plantas e cenas curiosas, com as quais se utilizava para despertar-lhes a motivação.
Removi-me de escola e cidade. Soube de sua aposentadoria. Realmente ela encerrou o trabalho como educadora de crianças, mas partiu para outro, como voluntária; este mais direcionado para a saúde da mulher. Como no caso das crianças, dedicou-se inteiramente. E como já amenizou a dor de tantas companheiras sofredoras! Primeiro, na própria cidade, depois em outras do estado, extrapolando seu mister para diversos pontos do nosso país e em outros. O “Viva a Vida”, semente lançada por ela, para frutificar em terras piracicabanas, hoje é conhecido e imitado internacionalmente. 

Seu sorriso sol aberto, (sua grande atração pessoal) ilumina por onde passa.Com seus exemplos de partilha, continua a nos dar a mais linda lição de vida, principalmente nessa época tão tumultuada e de violência em que vivemos. Sutilmente, nos ensina que vale a pena sermos bons, procurarmos ser anjos de luz para os nossos irmãos próximos e também os distantes, os conhecidos e desconhecidos. Associo sua pessoa a um anjo de luz-criança, fazendo suas peraltices criativas, que só trazem esperança e alegria, mesmo na dor e sofrimento. Acompanhando seu magnânimo trabalho, dá para acreditar que nem tudo está perdido nesse nosso Planeta-Terra, pois seu exemplo de amor ao próximo se aproxima do divino e por isso mesmo, terá sempre a proteção do Deus Poderoso. 

Quero através dessa crônica demonstrar-lhe o quanto a admiro e respeito. Wilma querida, sua aura resplandece para nós! Muito obrigada amiga, por você existir!

##

Publicado no Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 23 de Agosto de 2016



Wilma Godoy de Almeida no seu aniversário em 04 de Dezembro de 2015 ao lado de Ana Marly

sábado, 20 de agosto de 2016

Luís Gama o rábula-poeta da liberdade...


Luis Gama nasceu em Salvador, filho de um fidalgo português e da africana Luiza Mahin. Aos dez anos, para saldar dívidas de jogo, o pai o vendeu como escravo. Veio para o Rio de Janeiro e dali foi vendido para um fazendeiro paulista que acabou dando ele chances dele estudar, e se tornar um advogado autodidata, se revelando, assim, um dos mais brilhantes de sua geração.
Com a decisão recente da OAB de torná-lo advogado nesses últimos dias, a decisão é atrasada, mas expressa luta da militância pelo reconhecimento de seus grandes ícones.

São Paulo, um dia novembro de 1869.
Um escravo, Jacinto, fugira do cativeiro de Minas Gerais. Busca a alforria na justiça. Bateu na porta da residência de Luiz Gonzaga Pinto da Gama(1830-1882).
Este se anunciava nos jornais como “defensor perante aos tribunais da causa da liberdade”.

                                 Dos escravos.
Que os defendia gratuitamente.
Na época, o escravo Jacinto dissera a Gama que seu cativeiro fora ilegal. Isto porque chegara ao Brasil após a lei de 7 de novembro de 1831.
Esta lei proibia o tráfico de escravos.
O juiz Rego Freitas argumentou que a ação de liberdade deveria ser proposta no município de origem do suposto senhor do africano. Gama em petição referendou os termos anteriores de sua ação de liberdade para Jacinto.
Classificou, então, o despacho do Rego Freitas, de “ofensivo da lei”. Chamou o escrito do juiz de “fútil despacho”. O juiz, resolveu processar o insolente advogado negro autodidata- que não cursara faculdade- e chamado de rábula.
Ou seja, um advogado que não frequentara faculdade, tivera a insolência de, em petição, acusar um conceituado magistrado de não ter domínio da lei.
A ousadia de Gama teve um alto preço: a petição feita ao juiz Rego Freitas pedindo ação de liberdade em nome do africano Jacinto rendeu-lhe desemprego do estado e um processo por crime de calúnia.
No entanto, durante o julgamento do processo contra ele, ele mesmo se defendeu. Assim, mostrou o lado obtuso do magistrado e inabilidade do sistema escravista brasileiro. Ele foi absolvido por unanimidade.

A CATIVA _ Luís Gama
Como era linda, meu Deus!
Não tinha da neve a cor,
Mas no moreno semblante
Brilhavam raios de amor.

Ledo o rosto, o mais formoso
De trigueira coralina,
De Anjo a boca, os lábios breves
Cor de pálida cravina.

Em carmim rubro esgastados
Tinha os dentes cristalinos;
Doce a voz, qual nunca ouviram
Dúlios bardos matutinos.

Seus ingênuos pensamentos
São de amor juras constantes;
Entre as nuvens das pestanas
Tinha dois astros brilhantes.

As madeixas crespas, negras,
Sobre o seio lhe pendiam,
Onde os castos pomos de ouro
Amorosos se escondiam.

Tinha o colo acetinado
— Era o corpo uma pintura —
E no peito palpitante
Um sacrário de ternura.

Límpida alma — flor singela
Pelas brisas embalada,
Ao dormir d'alvas estrelas,
Ao nascer da madrugada.

Quis beijar-lhe as mãos divinas,
Afastou-mas — não consente;
A seus pés de rojo pus-me,
— Tanto pode o amor ardente!

Não te afastes, lhe suplico,
És do meu peito rainha;
Não te afastes, neste peito
Tens um trono, mulatinha!...

Vi-lhe as pálpebras tremerem,
Como treme a flor louçã
Embalando as níveas gotas
Dos orvalhos da manhã.

Qual na rama enlanguescida
Pudibunda sensitiva,
Suspirando ela murmura:
Ai, senhor, eu sou cativa!...

Deu-me as costas, foi-se embora
Qual da tarde ao arrebol
Foge a sombra de uma nuvem
Ao cair a luz do sol.
 Na foto a mãe de Luís Gama : Luiza perdeu cedo o contato com o filho. O menino, então com dez anos de idade, foi vendido ilegalmente pelo próprio pai, como escravo, para quitar uma dívida de jogo. Conhecedor de que sua situação era ilegal –
já que era filho de mãe livre -, acabou fugindo e, embora a tenha procurado por toda a vida, jamais reviu Luiza, também fugitiva das autoridades, graças às atividades revolucionárias.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Sarau Literario Piracicabano


                                  Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro
Data: 23 de Agosto (terça-feira) - 19h30
Participação do Conjunto Caleidoscópio com Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe FurlanAna Lúcia Paterniani
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Apresentação da CIA Pimenta de Teatro com Benedita GiangrossiLívia Foltran Spada
Apresentação do Grupo Josiany Shimla de Danças Orientais
Homenageados - Antônio Gonçalves Dias ( escritor e poeta) , Ernesto Paterniani (professor, engenheiro agrônomo , cientista)
Coordenação:  Ana Marly De Oliveira Jacobino

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Um beijo poético...

Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
## Vinicius de Moraes

José Dias Nunes influenciou várias gerações de violeiros, como: Almir Sater, Miltinho Edilberto, Ivan Vilela... Entre uma nota e outra marcou vidas, através da poesia de suas músicas! Ivete da Ivete Cunha Machado e José Dias nos acordes da viola fizeram à trilha sonora da vida bem mais interessante, bem mais calorosa, bem mais encantadora! Traduziram no som da viola, ou, do violão a alegria e o amor!
Sempre o amor pela música fez transbordar em cada um deles o ser amoroso para todos aqueles que, entrecruzam seus caminhos!

“Tenha um pouco de paciência, de que vale vencer uma discussão, se não vai ter com quem comemorar? Perder a pessoa é mais doloroso do que perder uma discussão!”
Este seu jeito de pensar consolidou muitas amizades e Tião Carreiro, mesmo, após, a sua morte ainda continua a ser lembrado por muitos fás e amigos! Enfim, arte na sua totalidade musical e poética é a inspiração para José e Ivete!

O Sarau Literário Piracicabano nestes 12 de Julho de 2016 honrou os nomes de José Dias Nunes e Ivete da Silva Cunha Ivete Cunha Machado na toada poética de Tião Carreiro:
” Duvido que alguém não chore, pela dor da saudade, quero ver quem não chora quando amar de verdade.”

#Publicações feitas no Caderno do Sarau Literario Piracicabano em 12 de Julho de 2016
Náufraga - Ana Marly De Oliveira Jacobino

Esperança; a guardo feito tesouro
Vigiada por nobre cavaleiro templário
Ora, escondida num buraco escuro
Ora, talhada no sino do campanário.

Como nau atracada no ancoradouro
Camuflada ao olhar do cruel corsário
Não quer se ferir_ sente o mau agouro
No tropel do mouro _ homem-sagitário.

Belo é o amor não fosse um vil tirano
Ao possuir numa crueza _ o que venero_
Estrela luzidia no negror dum oceano.

Espelha maresia no olhar _amor sincero_
No abismo profundo explode desumano...
A fonte da juventude _amargo desespero.
Meu belo Ypê amarelo _ Paulo Santos
Aprendi hoje uma lição
Que jamais vou esquecer,
Ao olhar o velho Ypê
Que parecia morrer;
Seco, desfolhado,
Velho e todo esturricado,
Eu, insensível
Pensei em cortá-lo;
Dei-lhe um longo e forte abraço,
Para mim, era a despedida, porém,
Com ele, aprendi como é a vida.
Ele madeira, mostrou-se ser de aço.
Com uma linda flor
Nessa hora me presenteou,
Amarelo vívido, como que me dizendo,
Estou vivo!
Lembra?
Sou seu belo Ypê amarelo!
Chorei ao me lembrar...
Trabalhei por toda minha vida
Acompanhado desse amigo silencioso,
E pude perceber que minha secura
É igual a dele;
Guardação de energia,
Economia de potência,
E que ainda, tanto ele quanto eu,
Teremos nosso dia de beleza,
Assim é a nossa natureza!
Eu sou como o Ypê amarelo,
Tive vários momentos difíceis,
Porém, na hora certa,
Assim como ele,
Poderei mostrar toda minha exuberância.
Próximo Sarau:
Local: Museu Prudente de Moraes - Centro                  
Data: 23 de Agosto (terça-feira)- 19h30
Participação do Conjunto Caleidoscópio com  Carlos Roberto FurlanSuzi Christophe Furlan, Ana Lúcia Paterniani
Declamação, dança, esquete teatral e muito mais nesta noite líteromusical
Homenageados – Gonçalves Dias (escritor, poeta) Ernesto Paterniani ( Engenheiro
Agrônomo pesquisador da área da seleção e melhoramento genético do milho)
Coordenação: Ana Marly de Oliveira Jacobino


domingo, 7 de agosto de 2016

Apesar de tudo é preciso poetar...

Livro de poesia a gente não deve ler de cabo a rabo. Tem de ser assim devagarinho pra que o espírito da palavra encarne na gente. Livro de poesia tem de ser um ir e vir livre: se na metade, volte, porque vez ou outra é bom ver se entendeu/sentiu bem porque a gente se vai mudando conforme vai lendo, e como não se é o mesmo a cada página, vai que o lido acaba revelando mais do que o lido! Eu não tenho pressas de ler poesia. Vou indo como quem bebe água e come, quando o corpo pede que é pra absorver melhor. (Richard Mathenhauer _ escritor e poeta ) 

##Leio poesia em doses homeopáticas... enrolando as palavras na lingua...saboreando... escrevendo alguns versos para digeri-los melhor... volta e meia relendo-os!              Ana Marly de Oliveira Jacobino_ escritora e poeta)

#‪#‎Publicações feita  no Caderno do Sarau Literario Piracicabano de 12 de JUlho de 2006
APESAR DE TUDO! Carlos Roberto Furlan
Julho fulgura! Com ele florescem os ipês, fiéis à sua vocação, numa despudorada e triunfante exaltação à vida. Se, de um lado, há tanta apoteose de verdade e poesia, por outro, a fastidiosa monotonia dos telejornais continuam estampando as oscilações das nossas tristezas ao constatarmos que o nosso tão suado dinheiro escorre, diuturnamente, por inúmeros ralos da ilegalidade.
E nós, do lado de fora, pagamos a conta, armamos o circo, carregamos a lona e as gambiarras, enfrentamos as feras e levamos, nas costas, até o elefante.
Em meio ao alheamento da vida moderna, confesso, me sinto como um malabarista no meu próprio picadeiro. Talvez o que me ampara é a rede estendida por baixo. Sei que ela é tecida por fios fortemente entrelaçados, oriundos do meu genótipo, das minhas crenças, da minha fé, das minhas esperanças, da minha vivência...
É bem verdade que sempre sou chamado a enfrentar inúmeros desafios e a ultrapassar muitos obstáculos; ora com determinação, às vezes desanimando, mais adiante recuperando a coragem, compondo com o imponderável, mas à minha maneira, a trama que certamente resultará numa jornada única, absolutamente singular. Talvez o grande desafio seja encontrar o equilíbrio dessa balança que traz, nos pratos, pontos luminosos e zonas de sombra, trajetórias de altos e baixos que, eu sei, sempre dependerão do que eu souber ou quiser enxergar. 
Por isso, evito carregar pesos inúteis. É melhor largar essa bagagem no meio do caminho, escrevendo a minha história com as tintas da alegria.
São as cores dessa alegria que usamos para preparar cada edição do nosso sarau. E o meu desejo, de coração, é que ela possa ser a mesma que usaremos para encarar qualquer complexidade da vida, no espelho da nossa existência. Então, que a ordem seja: rir mais, cantar mais, ler mais poesias, contar ou ouvir uma boa história, viajar mais, dançar com a vida... Talvez essa seja uma das armas mais eficazes que devemos usar pra enfrentar tempos bicudos. Armas que nos dão asas, que elevam o espírito e nos fazem alcançar um lugar além da tristeza. Um lugar que faz a gente sonhar sonhos que iluminam o nosso céu. E o coração. Porque julho fulgura e os ipês florescem... Apesar de tudo! 

Rebuscando emoções_ Dulce A.S. Fernandez
Seu Camilo foi deixado num asilo. Enfim, não teve escolha. Idosos curiosos apreciam sua chegada. Soluços. Passos magros até a capela. Longo silêncio. Frente a frente com o Jesus Crucificado pendente no madeiro, desfila orações. É convencido a carregar a cruz compartilhada. No seu rosto pálido é aberto um sorriso de paz. Depois de guardar seus pertences no tímido armário do quarto, sobre o fino colchão estira o velho corpo. O vento sopra acariciante, tentando aliviar seus ossos cansados. Ao ajeitar o duro travesseiro, vira a cabeça. Vê um pássaro saltitando no parapeito da janela. De repente, o pequeno corpo plumoso sacode a quietude do aposento com uma doce melodia. A seguir, seu Camilo, pelas frestas de seus olhos semicerrados, vê o balançar cômico do bigode do homem do quadro, que sorri. São místicas emoções para seu coração grisalho. Adormece. Tecendo sonhos, sobrepondo os fios do bigode do homem do quadro, faz uma arapuca. Com a alma impregnada de alegria infantil, brinca de caçar passarinhos...
Causando _ Letícia Vidor de Sousa Reis 
Budista zen
que me faz bem.

Amante de circo
feito criança
chupando pirulito.

Causando
pelas trilhas urbanas
e esquinas paulistanas

E pelas trilhas
e esquinas
do meu coração.
A Música _ Leda Coletti
( Homenagem aos músicos e em especial à querida Professora Ivete Cunha Machado, homenageada desta noite )

A música, das artes, preferida
da parceira fiel, a poesia.
Provém da Luz de Deus e produzida
para trazer a paz, plena alegria.

A pessoa se sente agradecida
ao ouvir sons, canções em sintonia
com o que pensa, faz em sua lida
sonhando um amanhã só de harmonia.

Apreciando instrumentos e corais
as emoções eclodem, são sinais
de alvoradas em novas estações.

Desaparecem mágoas e tristezas
o mundo passa a ter muitas belezas,
a música faz bem aos corações

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Circus


Circus _ Ana Marly De Oliveira Jacobino

Interessante o desenrolar da conversa numa reunião familiar, o vai e vem das palavras reciclam vivências importantes!
Circo!? Ah! Um estouro de alegrias acontecia para a população de uma cidade do interior na sua chegada!
Tempos em que a ingenuidade foi à marca da grande maioria dos cidadãos! A maldade humana não era tão cantada em prosa e verso pela mídia, portanto, a controvérsia, sobre, o uso dos animais numa arena circense não fazia afagos na consciência dos adultos, muito menos ainda na das crianças!
O desfile colorido dos animais e artistas pelas ruas e avenidas da cidade tornava-se um espetáculo a parte! As retinas das crianças extrapolavam as fronteiras óticas para espalmar nas fronteiras coronárias e ir direto para o território da fala!
Cavalos, cães, Chimpanzés, elefantes, leões, ursos..., levados em jaulas coloridas treinavam suas vozes ao som da música, junto, com a voz do locutor! No carro mais alto iam os contorcionistas, equilibristas, mágicos, trapezistas..., eles davam uma palhinha do espetáculo! Os pais ouviam a gritaria histérica dos filhos! Família grande! Dinheiro minguado!
As pessoas seguiam o desfile até o local da grande lona! Colorida sobrepujava por sobre toda a paisagem ao redor! Bandeirinhas tremulavam ao vento, além de esconder os segredos! No picadeiro a terra batida coberta por palha de arroz escondia as dores, fadigas, e, os suóres dos artistas e animais!
Promoção! Sim! Promover o circo para as pessoas participarem dos espetáculos tinha um modo diferente, do que vemos hoje!
Você não pode visualizar todo o histórico circense através deste seu olhar inquisidor, sempre, a procura do erro! Pare! Outros tempos! Outros pensamentos!
Otaviano foi sondar a trupe circense para conseguir um trabalho em troca de oito ingressos para levar a família! Nada! A trupe se incumbia de realizar tudo, desde a montagem, limpeza, tratamento dos animais...!
Olhando para os pés o homem foi saindo..., pesaroso! De repente, o tratador dos leões, o chamou!
“Uma coisa esta sendo pedindo para quem nos procura por ingressos sem custos!” Sugeriu algo para Otaviano, que, sorriu satisfeito!
Outros tempos em que os cemitérios não eram profanados com tanta insanidade! Lá, os mortos, literalmente, descansavam longe dos miados frenéticos dos animais largados ao Deus dará! Insanidade moderna!?!?
Matinê no Domingo! Otaviano tinha em cada uma das mãos sacos de jutas recheados de saltos e pontapés..., seus filhos orgulhosos iam logo atrás do pai olhando os sacos estrebuchar de um lado para o outro num exorcismo temerário!
Otaviano pediu para esperarem perto da bilheteria, enquanto seguia a procura do tratador dos leões! Os sacos trocaram de mãos! Oito ingressos num lampejo de magia saltitam nas mãos de Otaviano!
Aplausos! Gritos! Risos! Aplausos! Tanta magia contida num só espetáculo! Os chimpanzés e os palhaços quase fizeram vir à lona abaixo, através das gargalhadas da platéia!
Os cães bailarinos empolgaram e arrancaram vivas da gurizada!
Intervalo!
Montagem das grades para a entrada triunfal dos leões, e, do domador..., chicote, gritos, urros..., um leão em frente ao domador, outro leão no alto de um cone de madeira pintado de listras vermelhas, ameaçador..., o terceiro leão enterra as suas garras e dentes no chão num olhar feroz ao domador!
Silêncio! Não se ouve nem mesmo uma respiração! Rastifirastifichim... chicoteia o ar! Os leões gemem feitos gatinhos, enquanto, rolam pelo chão no interior da jaula! Mansos, como leões..., é claro!
Aplausos! Aplausos! Aplausos!
Os leões saem direto para as suas jaulas! Domador agradece!
Aplausos!
Intervalo!
A domadora de cavalos assina o final do espetáculo num show de beleza e formação eqüina!
Miguel, o filho do meio, pergunta para Otaviano, ainda, excitado pela magia circense!
“Pai, cadê os gatinhos que o senhor trouxe para o espetáculo!”
A resposta veio rápida:
“Ah! Os gatinhos estão treinando, meus filhos!”