segunda-feira, 6 de julho de 2009

A China e um pouco do seu contexto histórico-literário na Flip e na Agend@!


Xue Xinran autografando o seu livro




Nascida em Beijing em 1958, a jornalista e escritora Xue Xinran criou, após a abertura política da década de 1980 em seu país, um programa de rádio que, durante oito anos, se tornou uma via de expressão das chinesas vítimas de violência.
Mudou-se para Londres, onde lançou o livro
"As Boas Mulheres da China" (2002). Integrou a equipe do "The Guardian" até 2008 e publicou suas colunas em "O que os chineses Não Comem". Também escreveu "Enterro Celestial" (2005) e "Testemunhas da China" (2009).
Em "Testemunhas da China", para elucidar a formação da China contemporânea, Xinran foi em busca de homens e mulheres comuns com mais de 70, 80 anos, das mais diversas regiões e de diferentes classes sociais, e que sobreviveram à miséria e à fome, à invasão japonesa e à revolução, aos desastres do Grande Salto Adiante (1958-1960) e às perseguições e humilhações da Revolução Cultural (1964-1976) para chegar à modernização e ao espantoso crescimento econômico do início do século 21.
A autora reuniu dezenas de histórias reveladoras da vida cotidiana, dos sentimentos e ideais, das dores e alegrias, da fibra e coragem, da resistência física e fortaleza de espírito da geração dos chineses que viveram sob o domínio de Mao Tse-tung.

Trecho de
"Testemunhas da China".
*
YAO POPO ou a Curandeira, de 79 anos, entrevistada em Xingyi, na província de Guizhou, sudoeste da China. Quando Yao tinha quatro anos, sua mãe foi morta e ela foi entregue a um comerciante de ervas medicinais. Casou-se com um músico, filho adotivo do comerciante, e os três viajaram pela China, do rio Yangste ao rio das Pérolas, entre os anos 30 e os 60. Ela afirma que a Revolução Cultural a ajudou: construiu sua casa e toda uma vida a partir daí, pois hospitais e faculdades de medicina foram fechados e as pessoas, então, passaram a procurá-la.
(...)
Minha atenção foi capturada, a distância, por uma mulher cujo rosto parecia iluminado por uma inteligência determinada e peculiar. Ela estava sentada em frente a uma pequena loja conversando com um freguês. Vários tipos de ervas medicinais secas estavam expostos em torno: alguns em sacos pendurados, outros em estantes, amarrados em maços; outros ainda empilhados a seus pés.
Apontei-a para Toby. "É a única pessoa nesta rua que não aparenta estar desanimada, desesperançada da vida. Por que será que ela parece tão diferente de todos os outros neste lugar?"
"Vá falar com ela, eu espero. Não temos pressa." Toby sabe que adoro essas oportunidades de conversar informalmente com as mulheres chinesas -encontros espontâneos podem gerar informação inesperada.
Esperei até que a velha senhora tivesse terminado com o freguês, aproximei-me e iniciei uma conversa. "Olá. Essas ervas todas crescem por aqui?"
"Crescem", respondeu Yao Popo (curandeira, em chinês) com sotaque de Hunan, sem ao menos tirar os olhos do maço de ervas que amarrava.
"E essas? De onde vêm?", voltei a perguntar, tentando fazê-la falar.
Finalmente ela olhou para mim. "Não sou eu quem colho. Os agricultores daqui abastecem meu estoque."
Subi o primeiro dos dois degraus baixos à entrada da loja. "A senhora deve ser conhecida por esses lados, então."
"Sou só uma velha mulher comum", ela sorriu. "Apenas estou por aqui há muito tempo."
"Quando foi que a senhora começou a vender ervas medicinais?"
"Ah, faz muitos anos. Você procura alguma coisa em especial?" Yao Popo percebeu Toby, um pouco afastado da loja. Um estrangeiro era certamente uma visão rara naquela província. "Quem é aquele?"
"Meu marido", expliquei prontamente.
A Curandeira cerrou os olhos para ver melhor. "Ele é alto. E bonito. Minha filha também casou com um estrangeiro, um taiwanês." Muitas pessoas na China rural veem qualquer pessoa de fora do continente como estrangeira -mesmo que, etnicamente falando, seja chinesa. "Ele a trata bem, mas de aparência não é lá essas coisas."
Foi minha vez de sorrir. "Mas a aparência de um homem é assim tão importante?"
"Claro!", ela franziu o cenho. "Senão as crianças nascem feias."
Sorri, mas agora sabia como fazê-la falar. "Quantos filhos a senhora tem?"
Ela ficou satisfeita em responder. "Dois filhos e cinco filhas, uma dúzia de netos e dois bisnetos!"
Mais uma vez, fui lembrada sobre a importância que as mulheres chinesas dão a ter filhos.
"Testemunhas da China"Autor: XinranEditora: Companhia das Letras Páginas: 482Quanto: R$ 52Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou na Livraria da Folha







Piracicabanos caminhando em direção a Tenda do Telão na Flip para mais uma mesa de autores









A beleza das ruas de Paraty para os olhos do mundo na FLIP 2009.




Tenda dos Autografos ao lado da Tenda do Telão na flip, onde tudo acontecia!



Piracicaba na Flip bebendo na fonte do conhecimento: Gisele, Bene, Lucila, Carmelina. Raquel, Ana Marly, Àurea, Maria Estela, Livia, Lourdinha fotografados pelo Agend@.

4 comentários:

  1. Anônimo6/7/09 17:37

    Ana Mary,
    Li As Boas Mulheres da China de Xinran quando estava na faculdade. Uma das melhores obras que ja tive acesso... me emocionei muito com as histórias. Imagino que esta nova obra deve ser demais.
    Achei o máximo as fotos que posto no blog, pelo jeito a viagem foi emocionante. E viajou com boas companhias!
    Estava sentindo falta de ver o blog atualizado! Bjos!
    Rodrigo

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  2. Anônimo7/7/09 07:07

    Carinhoso Rodrigo; Você é o proprietário do livro "As Boas Mulheres da China de Xinran para me emprestar (tomo muito cuidado e além disso devolvo intacto)? É que os preços dos livros na Flip estava pela hora da morte. agradeço muito os seus comentários tão motivadores. Para você meu Jornalista Diplomado faço como Vinícius de Moraes: SARAVÁ!

    Ana Marly de Oliveira Jacobino

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  3. Anônimo7/7/09 07:15

    Rodrigo vou comentar o que li no seu blog e fazer uma correção de um erro gramatical no que escrevi para você no comentário anterior.

    "Verdade! O show feito pelos noticiarios sobre a vida, obra e morte do cantor foi grande, a GloboNews noticiou a morte e depois desmentiu dizendo que ainda não havia a notícia oficial (coisas do pseudojornalismo ou seria pseudo-jornalismo brasileiro?), mas aqui vai mais um pouco dos meus comentários:

    Carinhoso Rodrigo; Você é o proprietário do livro "As Boas Mulheres da China de Xinran para me emprestar (tomo muito cuidado e além disso devolvo intacto)? É que os preços dos livros na Flip ESTAVAM pela hora da morte. agradeço muito os seus comentários tão motivadores. Para você meu amigo; "Jornalista Diplomado" faço como Vinícius de Moraes: SARAVÁ!

    Ana Marly de Oliveira Jacobino

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  4. Oi amiga... o livro era propriedade da ex (melhor dizer, falecida). Mas sei que a Unimep tem exemplares. Não sei como funciona o empréstimo para terceiros, mas quando eu for para o Taquaral posso pegar em meu nome para vc!
    Bjos!

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