sábado, 10 de setembro de 2011

Renascimento um tempo de luz!

“A luz do conhecimento invade a Europa marcada por séculos das trevas da ignorância. A Igreja sobrepõe o seu pensar com as torturas inquisitórias! As guerras sangrentas deixam um legado de terror. Mas, foram as guerras que permitiram as descobertas de novos armamentos cruciais para o futuro desenvolvimento científico renascentista. Os dois últimos séculos da idade Média, através das suas explorações comerciais e marítimas conduziram as riquezas para os novos descobridores das Artes!"

Luca Bartolomeo de Pacioli O.F.M. nasceu em Sansepolcro no ano de 1445 e faleceu em Sansepolcro no dia 19 de junho de 1517) foi um monge franciscano e célebre matemático italiano. É considerado o pai da contabilidade moderna.

"Renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antigüidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista. O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região italiana da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de onde se difundiu para o resto da península Itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa por Johannes Gutenberg.

Cúpula da Santa Maria del Fiore, em Florença, Itália.

O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. Baseia-se em diversos conceitos associados: Neoplatonismo, Antropocentrismo, Hedonismo, Racionalismo, Otimismo e Individualismo. O Humanismo, antes que um corpo filosófico, é um método de aprendizado que faz uso da razão individual e da evidência empírica para chegar às suas conclusões, paralelamente à consulta aos textos originais, ao contrário da escolástica medieval, que se limitava ao debate das diferenças entre os autores e comentaristas. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o investigador por excelência da natureza.
 Homem Vitruviano é um desenho de 1492, feito por Leonardo Da Vinci, no qual expõe o traçado e proporções do corpo humano. Também é um conceito da obra “Os dez livros da Arquitetura”, do arquiteto romano Marco Vitruvio Polião. O conceito elabora a noção a respeito da divina proporção através do raciocínio matemático, sendo um modelo ideal para todo o ser humano. As proporções do “homem vitruviano” são perfeitas e inserem o conceito clássico e divino de beleza.História da Arte: vol.5. Barcelona: Salvat Editora, 1978. 

As descrições de Vitrúvio foram se perdendo no decorrer dos anos e as cópias fugindo do traço original, dentre tantos desenhos, ficando a representação gráfica de Da Vinci a mais difundida no momento atual.
Leonardo Da Vinci teria feito o desenho no ano de 1490, e faz parte da coleção “Gallerie dell’Accademia”, na cidade de Veneza, Itália. No desenho, as posições dos braços e pernas expressam quatro posturas diferenciadas inscritas em círculo, sendo o centro da figura o umbigo.
O desenho reúne todo o interesse que Leonardo Da Vinci possuía sobre arte e ciência, o desenho tornou-se mais pleno nas mão de Da Vinci, no qual há correções de medidas à perfeição da forma humana.
No conceito da “Divina proporção”, tão expressado em obras renascentista , há a busca e definição das partes corporais do ser humano. Entende-se que a “Divina proporção” teve uma de suas origens na Grécia Antiga, onde se conhecia os quatro sólidos geométricos perfeitos: “tetraedro”, “hexaedro”, “octaedro” e “icosaedro”, associados aos quatro elementos da natureza.
                  Basílica de Santa Maria Novella é uma igreja em Florença, na Itália.A Itália permaneceu sempre como o local onde o movimento apresentou maior expressão, porém manifestações renascentistas de grande importância também ocorreram na Inglaterra, Alemanha, Países Baixos e, menos intensamente, em Portugal e Espanha, e em suas colônias americanas.

                                                       Michelangelo: David, 1504.
O Humanismo pode ser apontado como o principal valor cultivado no Renascimento. O Humanismo afirma a dignidade do homem e o torna o investigador por excelência da natureza. Na perspectiva do Renascimento, isso envolveu a revalorização da cultura clássica antiga e sua filosofia, com uma compreensão fortemente antropocentrista e racionalista do mundo, tendo o homem e seu raciocínio lógico e sua ciência como árbitros da vida manifesta. O brilhante florescimento cultural e científico renascentista deu origem a sentimentos de otimismo, abrindo positivamente o homem para o novo e incentivando seu espírito de pesquisa.
                                     Rafael: Madonna Cowper, 1504/1505
O pensamento medieval tendia a ver o homem como uma criatura vil, uma "massa de podridão, pó e cinza", como se lê em De laude flagellorum de Pedro Damião, no século XI. Mas quando se eleva a voz de Pico della Mirandola no século XV o homem já representava o centro do universo, um ser mutante, essencialmente imortal, autônomo, livre, criativo e poderoso, o que ecoava as vozes mais antigas de Hermes Trismegisto (Grande milagre é o homem) e do árabe Abdala (Não há nada mais maravilhoso do que o homem").
            Leonardo da Vinci: A Virgem das Rochas, versão de Londres, 1503-1506.
  O Humanismo, a noção de autonomia da arte, a emancipação do artista de sua condição de artesão e equiparação ao cientista e ao erudito, a busca pela fidelidade à natureza, e o conceito de gênio, tão perfeitamente encarnado em Da Vinci, Rafael e Michelangelo.
                        El Greco: Cristo espoliado, 1577-1579. Catedral de Toledo
Nas artes o Renascimento se caracterizou, em linhas muito gerais, pela inspiração nos antigos gregos e romanos, e pela concepção de arte como uma imitação da natureza, tendo o homem nesse panorama um lugar privilegiado. Mas mais do que uma imitação, a natureza devia, a fim de ser bem representada, passar por uma tradução que a organizava sob uma óptica racional e matemática, num período marcado por uma matematização de todos os fenômenos naturais. Na pintura a maior conquista da busca por esse "naturalismo organizado" foi a recuperação da perspectiva, representando a paisagem, as arquiteturas e o ser humano através de relações essencialmente geométricas e criando uma eficiente impressão de espaço tridimensional; na música foi a consolidação do sistema tonal, possibilitando uma ilustração mais convincente das emoções e do movimento; na arquitetura foi a redução das construções para uma dimensão mais humana, abandonando-se as alturas transcendentais das catedrais góticas; na literatura, a introdução de um personagem que estruturava em torno de si a narrativa e mimetizava até onde possível a noção de sujeito.
Fontes:


BENEVOLO, Leonardo. História da cidade. 3.ed ed. São Paulo: Perspectiva, 1997.
CONTI, Flávio. Como reconhecer a arte do Renascimento. Lisboa: Edições 70, 1986.
HEYDENREICH, Ludwig H.. Arquitetura na Itália: 1400-1500. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
                                                  Convite Imperdível:
Raquel de Queiróz, a "Dama da Ficção Social Nordestina" convida para o "Sarau das Flores" que vai acontecer no dia 13 de Setembro (19h30)no Teatro Municipal de Piracicaba na sala 2.

Convidada local homenageada pelo Sarau Literário Piracicabano: a escritora, poeta piracicabana das crônicas e poemas fortes (muitos deles de cunho social) a "Dama da Ficção Social Piracicabana": Dirce Ramos de Lima.

           "O Sarau mais charmoso da cidade”
                    Teatro Municipal Drº Losso Netto em Piracicaba
                         Venha ouvir Poesia, Música, Teatro...
Entrada Franca (lotação 100 lugares retirar na bilheteria do Teatro Municipal
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                                                       Ana Marly de Oliveira Jacobino

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Poeta Camilo de Jesus Lima: esquecê-lo? Jamais!

"No Golpe Militar de 1964 muitos intelectuais perderam a liberdade e a própria vida por escrever ou manifestar a sua opinião contraria as idéias retrogradas dos militares. Camilo de Jesus Lima e seus colegas foram presos em Vitória da Conquista, sofrendo as torturas da prisão com os amigos. Camilo, responde ao Presidente Geisel ao ler um cartaz escrito em latim sobre a liberdade. Geisel pergunta; se havia intelectuais ali:” - "General, intelectuais somos todos os que aqui estamos. E intelectuais lutando por uma causa justa".        Ana Marly de Oliveira Jacobino


Publico o comentário-poético  do Professor Aluísio Cavalcante Junior, que muito nos honra:
                                                        Querida amiga

Talvez pior do que a ditadura,
foi a semente do esquecimento
semeada naqueles tempos.
#Quantos doaram suas vidas
para que tivéssemos um País
livre, e hoje tiveram
uma segunda morte,
a morte de suas lembranças.
#Assim, postagens como esta,
são tributos a esperança,
pois lembram
aqueles que realmente
deveriam ser lembrados.
#Viver é sentir os sonhos
com o coração

Camillo de Jesus Lima Filho de Francisco Fagundes de Lima e D. Esther Fagundes da Silva trazia no sangue a estirpe de várias famílias tradicionais da cidade. Camilo nasceu em Caetité, no dia 8 de setembro de 1912 e veio a falecer em Itapetinga, no dia 28 de fevereiro de 1975.
O seu pai, o professor Chico Fagundes, homem integro e de poucas palavras, devotado às leituras e ao magistério, era ateu convicto, e com isso,  muito influenciou ao filho, e marcou na cidade por seu jeito distraído e absorto, então, Camillo dedica-lhe um poema em que revela ser ele um gênio incompreendido por não comungar a fé dominante e "ler Shakespeare no original".

Com muita honra publico o comentário do filho do Poeta Camilo:
Senhora Ana Marly:

Pesquisando a internet á procura de matérias para postar no meu blog (poetacamillo.blogspot.com) tive a honra de encontrar um texto jornalístico feito por você datado de setembro de 2011. Fiquei muito emocionado e agradecido pelo seu gesto. Estamos preparando a comemoração do centenário do " Poeta da liberdade" assim o chamava Zélia Saldanha.
                         Meus agradecimentos, fique com Deus.
Luiz Carlos (Filho de Camillo)

                                     foto atual da cidade de Caitetê na Bahia
      Camillo  realiza a breve experiência do Colégio de Caetité, do Padre Luis Soares Palmeira (1935-1938), local onde tem a honra de lecionar com o seu pai.


    Tempos depois transfere-se para Vitória da Conquista uma vez que a crise provocada pela seca de 1939/40 forçara a mudança do Colégio do Padre Palmeira, onde ensinava, para aquela cidade (motivo aparente, pois na verdade; o que ocorreu foi um convite dos chefes políticos daquela cidade que, assim, visavam proporcionar uma educação de qualidade para seus filhos, como atesta Mozart Tanajura no histórico que fez daquela cidade, emancipada de Caetité em 1840). Ali Camillo produz sólidas amizades, que o acompanhariam por toda a vida, sempre no meio artístico e intelectual, sem perder, contudo, os laços afetivos com a terra natal.

            Jornalista, escritor, professor, deixando extensa obra literária, do romance ao conto, mas é na poesia que se consagra, já em 1942, com o livro Poemas, recebedor do Prêmio Raul de Leoni da Academia Carioca de Letras (edição de "O Combate", que publicou quatro de seus livros). Publicou: As Trevas da Noite Estão Passando ("O Combate", em colaboração com Laudionor Brasil, poemas, 1941); Viola Quebrada ("O Combate", poesia, 1945); Novos Poemas ("O Combate", id., ib.); Cantigas da Tarde Nevoenta ("Edição de Artes Gráficas - Salvador", poesia); Memórias do Professor Mamede Campos (romance); A Mão Nevada e Fria da Saudade ("Edições MAR", poesia), e muitos outros.
           Sua poesia plena de lirismo cativa, e tem em Vitória da Conquista, num tempo onde surgem Glauber Rocha, Elomar e outros, um meio artístico incomum, que, por produzir pensamentos, provocou reação junto àqueles para quem o pensar e a palavra eram armas perigosas, a ser combatidas…
                Golpe Militar de 1964 e sua perseguiçao aos intelectuais


          O Golpe Militar de 1964 mergulhou o Brasil em triste período de sombras. As primeiras vítimas do movimento foram os cérebros que produziam arte, que viam com sensibilidade o sofrimento de seu povo, e pensavam ser possível um mundo melhor.


         Camillo era redator do "O Jornal de Conquista", e morava em Macarani, quando foi preso e levado para a Vitória da Conquista, onde já estavam detidos Pedral Sampaio (prefeito da cidade) e Reginaldo Santos (redator d'O Combate), dentre outros. Eis o resumo deste episódio, sob a descrição de Emiliano José (escritor e jornalista, autor da biografia de Marighella):
         Os presos do 19º Batalhão de Caçadores, depois dum habeas corpus da Justiça Militar, foram transferidos secretamente para o Quartel de Amaralina, em Salvador. Ali, incomunicáveis, planejaram uma fuga, suspensa porque souberam da visita do General Ernesto Geisel, que por pressão do chefe da Comissão Geral de Inquéritos iria verificar as condições dos presídios.
          Othon Jambeiro sugeriu que se colocasse um cartaz na cela, com os dizeres em italiano: "LASCIATE OGNI SPERANZA VOI CHE ENTRATE", dizeres que Dante Alighieri colocara na porta do Inferno, em sua Divina Comédia, e que significa: deixai toda esperança, vós que entrais. Geisel, chegando, leu e perguntou quem colocara aquilo, e por quê. Jambeiro assumiu e contou-lhe a situação vivida ali. Surpreendendo os presos que não o sabiam culto, o severo militar perguntou: "Isso não é de Dante Alighieri?" e comentou: "Vejo que há algum intelectual aqui."
          Foi então que o poeta Camillo de Jesus Lima adiantou-se e, sereno e firme, respondeu - "General, intelectuais somos todos os que aqui estamos. E intelectuais lutando por uma causa justa".
                       Camillo na redação de um dos jornais que trabalhou
          Libertado, lança em 1973 O Livro de Miriam, dedicado a sua esposa, obra que, neste mesmo ano, em visita a sua Caetité natal, doa à Biblioteca Pública. Lá revê amigos, vive um pouco daquilo que todos os visitantes e filhos da terra moradores doutras paragens experimentam: a amizade, a alegria do reencontro… mas foi uma despedida.
         De 1964 até sua morte, em 1975, Camillo jamais deve ter se reabilitado. Foi justamente naquele ano, quando o Brasil havia mergulhado no período mais negro da ditadura, com Geisel na Presidência, que as perseguições se acentuam. Morrem misteriosa e acidentalmente Anísio Teixeira, Juscelino Kubitschek, João Goulart… morre, misteriosamente atropelado em Itapetinga, o poeta Camillo de Jesus Lima
                                  Diálogo Eterno
Por que é que as tuas mãos - as tuas mãos esguias,


Mais alvas do que a névua que anda no ar,
Palidas - tremem tanto assim, tão frias?
- Talvez seja do frio luar...
#Por que é que a tua boca - o rosal que floresce
Para tornar mais dolorosos meus delirios,
Subtamente treme e empalidece?
- É o perfume que vem das pétalas do lírio...
#Por que é que os olhos teus - lagos, mansos, serenos,
Cerram-se como os olhos de quem dorme?
Que é que tem os teus olhos sarracenos?
- Talvez seja o pavor das noites enormes...
#Por que teu coração bate tanto assim, tanto?
Que espectro aterrador transitor por aqui?
- É o amor que chega... bem o sinto... e este quebranto...
Beija-me toda... assim... vem de ti... vem de ti...
Camillo de Jesus Lima recebe do Agenda Cultural Piracicabana e do Sarau Literário Piraicabano a "Rosácea Pùpura" por seus serviços prestadoa a Literatura Brasileira! Salve Camillo, salve, salve!
                                                       Espelho


Ao receber-te nos meus braços, como estéta
Hei de prender o instinto, a fera já domada;
Nos teus olhos azuis nada mais verei, nada
Mais que um raio de luar na água morta e quieta.
#Percorrendo o teu corpo, as minhas mãos de poeta
Hão de achar a beleza eternamente ansiada.
Buscando a perfeição, encontrei, em cada
Curva, um motivo mais de exaltação completa.
#Ao reclinar-te, assim, toda branca, em delírio,
Não hão de maguar as minhas mãos perversas;
Hei de ter a impressão de quem desfolha um lírio...
                      #E no teu corpo, em teu anseio, em teu pudor
Verei da natureza as mutações diversas,
- Grande poema imortal de beleza e explendor!
                                http://poetacamillo.blogspot.com/




                     Venha conhecer a alegria de um Sarau Literário
 


Raquel de Queiróz, a "Dama da Ficção Social Nordestina" convida para o "Sarau das Flores" que vai acontecer no dia 13 de Setembro (19h30)no Teatro Municipal de Piracicaba na sala 2.


Convidada local homenageada pelo Sarau Literário Piracicabano: a escritora, poeta piracicabana das crônicas e poemas fortes (muitos deles de cunho social) a "Dama da Ficção Social Piracicabana": Dirce Ramos de Lima.
                     "O Sarau mais charmoso da cidade”
                              Teatro Municipal Drº Losso Netto em Piracicaba
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Independência! Os escritores e poetas estiveram na vanguarda....

"Idéias nacionalistas já existiam, mas, com a falta da imprensa a dificuldade da divulgação da idéia nacionalista não se propaga. Com a vinda da corte portuguesa ao Brasil a liberdade de expressão aumenta. É criada a imprensa nacional e deste modo o ideal romântico escrito por Victor Hugo: "Nem regra , nem modelos ", se estabelece. Grandes poetas desenvolvem a poesia romântica  teor patriótico, de afirmação nacional, de compreensão do que era ser brasileiro. O Brasil de fato começa aqui!""                                      Ana Marly de Oliveira Jacobino
Três escritores brasileiros que propagaram a idéia do nacionalismo no ínicio do século XIX. Da esquerda para direita: Gonçalves Dias, Manuel de Araújo Porto-alegre e Gonçalves de Magalhães (1858).
História da Independência do Brasil - pintura, quadro de Pedro Américo_ Independência ou Morte : 7 de setembro de 1822 - quadro de Pedro Américo
         Após 1822, cresce no Brasil independente o sentimento de nacionalismo, busca-se o passado histórico, exalta-se a natureza da pátria; na realidade, características já cultivadas na Europa e que se encaixavam perfeitamente à necessidade brasileira de ofuscar profundas crises sociais, financeiras e econômicas. De 1823 a 1831, o Brasil viveu um período conturbado como reflexo do autoritarismo de D. Pedro I: a dissolução da Assembléia Constituinte ; a Constituição outorgada; a Confederação do Equador; a luta pelo trono português contra seu irmão D. Miguel; a acusação de ter mandado assassinar Líbero Badaró e, finalmente, a abdicação. Segue-se o período regencial e a maioridade prematura de Pedro II. É neste ambiente confuso e inseguro que surge o Romantismo brasileiro, carregado de lusofobia e, principalmente, de nacionalismo.
                                 Ouça a boa  música instrumental brasileira:
                                       http://youtu.be/iWUD-jJjtLs
                                                 Quadro retratando Gonçalves Dias
Os primeiros românticos são conhecidos como nativistas, pois seus romances retratam índios vivendo livremente na natureza, numa representação idealizada. O índio é transformado no símbolo do homem livre e incorruptível.
Nosso Romantismo apresenta como traço essencial o nacionalismo, destacando o indianismo, o regionalismo, a pesquisa histórica, folclórica e lingüística, e a crítica aos problemas nacionais.
No Brasil, a poesia romântica é marcada, num primeiro momento, pelo teor patriótico, de afirmação nacional, de compreensão do que era ser brasileiro, ou pela expressão do eu, isto é, pela expressão dos sentimentos mais íntimos, dos desejos mais pessoais, diferente do ideal de imitação da natureza presente na poesia árcade. Isto tudo seguido de uma revolução na linguagem poética, que passou a buscar uma proximidade com o cotidiano das pessoas, com a linguagem do dia-a-dia. No poema "Invocação do Anjo da Poesia", Gonçalves de Magalhães diz que vai abandonar as convenções clássicas (como a da cultura grega) em favor do sentimento pessoal e do sentimento patriótico.
                               Um pouco mais da nossa música:
                                       http://youtu.be/v06goDMXUcE
                                                               Gonçalves de Magalhães
O Romantismo no Brasil teve como marco fundador a publicação do livro "Suspiros poéticos e saudades", de Gonçalves de Magalhães, em 1836, e durou cerca de 45 anos terminando na década de 1880 com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, por Machado de Assis. O Romantismo foi sucedido pelo Realismo.
Apesar de servir como marco de início do romantismo no Brasil, a obra "Suspiros Poéticos e Saudades" não apresenta grande notoriedade ou importância no cenário artístico poético do romantismo brasileiro assim como as outras obras de Gonçalves de Magalhães.
Vocabulário mais brasileiro - Como um meio de criar uma cultura brasileira original os artistas buscavam inspiração nas raízes pré-coloniais utilizando-se de vocábulos indígenas e regionalismos brasileiros para criar uma língua que tivesse a cara do Brasil.
             Milton Nascimento - Canção da América: http://youtu.be/OlcQE4NeXow

                                                           Canção de Exílio (Gonçalves Dias)


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


ABRAMS, M. H. The Mirror and the Lamp; Romantic Theory and the Critical Tradition. London / Oxford / New York: Oxford University Press, 1977.

ALMEIDA, Pires de. A escola byroniana no Brasil. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura / Comissão de Literatura, 1962. (Textos e Documentos, 5).
AMORA, Antônio Soares. O romantismo. 5. ed. São Paulo: Cultrix, 1976. (Literatura brasileira, 2).
                                                                       Convite
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domingo, 4 de setembro de 2011

O canto que leva aos céus...

"Elevação do espírito, consciência plena, êxtase... sempre que ouço o "canto gregoriano" lembro do extâse de Santa Tereza, obra prima de Bernini, representando a experiência mística de Santa Teresa de Ávila transpassada por uma seta de amor divino por um anjo. O sorriso no rosto angelical no momento que transpassa Tereza e o rosto contorcido pelo prazer dela nos mostra o "afair" do religioso com o profano. Equílibrio que devemos buscar sempre! O canto gregoriano consegue trazer este equílibrio!"
                                                       Ana Marly de Oliviera Jacobino 
O canto gregoriano é um gênero de música vocal monofônica, monódica (só uma melodia), não acompanhada, ou acompanhada apenas pela repetição da voz principal com o organum, com o ritmo livre e não medido, utilizada pelo ritual da liturgia católica romana.
          Clique e ouça os monges do Mosteiro de São Bento em São Paulo:
                                  http://youtu.be/3xeX1HomgU8

Intimamente ligado à liturgia, o objetivo das melodias do canto gregoriano é favorecer o crescimento espiritual em seus ouvintes, revela os presentes de Deus, e a completa coerência da mensagem cristã, para viver de acordo com a fé. O que nós chamamos canto gregoriano hoje apareceu primeiro no repertório romana dos séculos V e VI.
Interior do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro
       As características foram herdadas dos salmos judaicos, assim como dos modos (ou escalas, mais modernamente) gregos, que no século VI foram selecionados e adaptados por Gregório Magno para serem utilizados nas celebrações religiosas da Igreja Católica.
      Somente este tipo de prática musical podia ser utilizada na liturgia ou outros ofícios católicos. Só nos finais da Idade Média é que a polifonia (harmonia obtida com mais de uma linha melódica em contraponto) começa a ser introduzida nos ofícios da cristandade de então, e a coexistir com a prática do canto gregoriano.
           Ouça e saiba mais sobre o Canto Gregoriano clicando em:
Papa Gregório I; o implemetador do canto que recebeu o seu nome
O canto Gregoriano jamais poderá ser entendido sem o texto, o qual tem primazia sobre a melodia, e é quem dá sentido a esta. Por isso, ao interpretá-lo, os cantores devem haver compreendido bem o sentido dele. Em conseqüência, deve-se evitar qualquer impostação de voz de tipo operístico, em que se busca o destaque do intérprete.
Deste canto procedem os modos gregorianos, que dão base à música ocidental. Deles vêm os modos maior (jônio) e menor (eólico), e outros cinco, menos conhecidos (dórico, frígio, lídio, mixolídio e lócrio).
                                   Interior do Mosteiro de São Bento em São Paulo.
Na Segunda metade do século VIII, a aproximação política entre o reino francês (envolvendo Pepin e Carlos Magno) e do papado, promoveu um maior conhecimento da liturgia romana. A coroa francesa decretou sua adoção durante em todo o reino. Nota-se neste tempo que os primeiros registros escritos começam a aparecer primeiramente na França, então sobre todo o império e além.
Um pouco mais para você ouvir:
Mosteiro de São Bento em São Paulo.

                                     O Kyrie

Kyrie Eleison é uma forma grega onde o fiel "aclama seu Senhor e implore Sua misericórdia.". Hoje este canto é colocado no começo da missa, como a parte do rito penitencial, preparando o fiel para a celebração.
                                     O Gloria
Este hino de origem ocidental data do século II. Na liturgia romana o Gloria veio originalmente no uso para a missa de meia-noite do Natal unicamente. Foi estendido mais tarde às grandes festas do ano e a domingos.
                 Um pouco mais de Canto Gregoriano para você entrar em extâse:
                            http://youtu.be/37q9zIznj2M
Rubem Alves escreveu belíssimo artigo sobre: O canto gregoriano na “Folha de São Paulo”, a 15 de maio de 2007, na época  da visita de Bento XVI ao Brasil. Entre outros elogios: “Eterna e imutavelmente o o canto gregoriano se repete, como convém a uma obra de Deus. O que é completo e perfeito não admite novidades... O canto gregoriano é música do tempo perfeito, tempo que já encontrou o que buscava... A missão da igreja não pode ser outra que a de eliminar os ruídos humanos, para que apenas a música divina se faça ouvir...”
                Então, deixe a beleza do Canto Gregoriano o elevar ao extâse pleno:
                                 http://youtu.be/lfwuZaf6WXw

Antífonas do Ó: O antigo e o novo na oração liturgica do advento. - São Paulo: Paulinas, 1999
Folha de São Paulo”, a 15 de maio de 2007
                                                          Convites Imperdíveis:
Raquel de Queiróz, a "Dama da Ficção Social Nordestina" convida para o "Sarau das Flores" que vai acontecer no dia 13 de Setembro (19h30)no Teatro Municipal de Piracicaba na sala 2.
Convidada local homenageada pelo Sarau Literário Piracicabano: a escritora, poeta piracicabana das crônicas e poemas fortes (muitos deles de cunho social) a "Dama da Ficção Social Piracicabana": Dirce Ramos de Lima.
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Entrada Franca (lotação 100 lugares retirar na bilheteria do Teatro Municipal
 Imagem: Marília Vasconcelos CENTRO CULTURAL MARTHA WATTS  
                                            PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO
                            ANIVERSÁRIO DO COLÉGIO PIRACICABANO
  EXPOSIÇÃO HISTÓRICO CULTURAL DO COLÉGIO PIRACICABANO  Abertura: 10/09 às 12h  Visitação: 12 a 29/09  Serão expostos trabalhos dos alunos do colégio, realizados durante o ano de  2011, e trabalhos de professores e funcionários do Colégio Piracicabano.
LANÇAMENTO DA “CÁPSULA DO TEMPO”  Data: 10/09 às 12h
Baú confeccionado em madeira onde serão guardados trabalhos e fotos das turmas deste ano para ser aberto novamente nos 140 anos do Colégio Piracicabano. Ficará em exposição permanente no Memorial da Educação Metodista do CCMW.
                                 fotos Google                                         

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Livro um sonho de consumo do leitor!

"Abrir um livro é descortinar palavras repletas de vivências e conhecimentos nunca dantes explorados. O livro nos revela detalhes no seu conteúdo que muitas vezes passam desapercebidos na vida real, mas, que são explorados nas suas páginas. Perseguido na Idade Média pelo excessivo fervor religioso, o livro sairia fortalecido com a tecnologia, que traria à tona a revolução cultural moderna através da imprensa desenvolvida por Johannes Gutenberg. Que venham os livros para nos abençoar com suas palavras e civilização!” Ana Marly de Oliveira Jacobino

A história do livro é uma história repleta de inovações técnicas que possibilitaram a sua conservação  e o acesso à informação aos leitores, e também a facilidade em manuseá-lo e produzi-lo. Uma história  ligada aos acontecimentos políticos, econômicos e à história de idéias e religiões.

<><><><><>  O  papiro, é uma planta muito conhecida desde 40 séculos antes de Cristo. adaptada às margens do Nilo, onde acompanhava em grande quantidade o curso do rio, tem uma longa haste, sem nós nem folhas, de secção triangular e da grossura de cerca de seis centímetros, a qual termina por uma graciosa umbela em forma de penacho, formado por um tufo de pequenos ramos filamentosos verdes. O mais antigo exemplar escrito do qual se tem notícia, datado do final da I dinastia, é formado por fragmentos do livro de contas de um templo de Abusir, escrito em hierático.
Com o tempo o papiro foi sendo substituido pelo pergaminho, excerto de couro bovino ou de outros animais. A vantagem do pergaminho é que ele se conserva mais ao longo do tempo. O nome pergaminho deriva de Pérgamo, cidade da Ásia menor onde teria sido inventado e onde era muito usado. O "volumen" era desenrolado conforme ia sendo lido, e o texto era escrito em colunas na maioria das vezes (e não no sentido do eixo cilíndrico, como se acredita). Algumas vezes um mesmo cilindro continha várias obras, sendo chamado então de tomo. O comprimento total de um "volumen" era de c. 6 ou 7 metros, e quando enrolado seu diâmetro chegava a 6
O "volumen" também foi substituído pelo códex, que era uma compilação de páginas, não mais um rolo. O códex surgiu entre os gregos como forma de codificar as leis, mas foi aperfeiçoado pelos romanos nos primeiros anos da Era Cristã.
Isto foi a conseqüência fundamental do códice é que ele faz com que se comece a pensar no livro como objeto, identificando a obra com o livro.A consolidação do códex acontece em Roma
Em Roma a leitura se dava tanto em público (para a plebe), evento chamado recitatio, como em particular, para os ricos. Além disso, é muito provável que em Roma tenha surgido pela primeira vez a leitura por lazer (voluptas), desvinculada do senso prático que a caracterizara até então. Os livros eram adquiridos em livrarias. Assim aparece também a figura do editor, com Atticus, homem de grande senso mercantil. Algumas obras eram encomendadas pelos governantes, como a Eneida, encomendada a Virgílio por Augusto.


A característica mais marcante da Idade Média é o surgimento do monges copistas, homens dedicados em período integral a reproduzir as obras, herdeiros dos escribas egípcios ou dos libraii romanos. Nos monastérios era conservada a cultura da Antiguidade. Apareceram nessa época os textos didáticos, destinados à formação dos religiosos.
Assista um trecho do filme "O nome da Rosa " e veja uma linda biblioteca da Idade Média:
                             http://youtu.be/sV7ET145t0M

O livro continua sua evolução com o aparecimento de margens e páginas em branco. Também surge a pontuação no texto, bem como o uso de letras maiúsculas. Também aparecem índices, sumários e resumos, e na categoria de gêneros, além do didático, aparecem os florilégios (coletâneas de vários autores), os textos auxiliares e os textos eróticos.

Foi em 1455, que Johannes Gutenberg inventa a imprensa com tipos móveis reutilizáveis, o primeiro livro impresso nessa técnica foi a Bíblia em latim. Houve certa resistência por parte dos copistas, pois a impressora punha em causa a sua ocupação. Mas com a impressora de tipos móveis, o livro popularizou-se definitivamente, tornando-se mais acessível pela redução enorme dos custos da produção em série.
Foi na Idade Moderna  que aparecem livros cada vez mais portáteis, inclusive os livros de bolso. Estes livros passam a trazer novos gêneros: o romance, a novela, os almanaques.
Já as bibliotecas são a metáfora do fênix, que, segundo a tradição egípcia, era uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, quando queimada, renascia das próprias cinzas. A partir do século XVI é que as bibliotecas realmente se transformam, tendo como característica a localização acessível, passam a ter caráter intelectual e civil, a democratização da informação é especializada em diferentes áreas do conhecimento. No Brasil, a biblioteca oficial foi a atual Biblioteca Nacional e Pública, do Rio de Janeiro, que se tornou do Estado em 1825. Essa biblioteca era constituída dos livros do rei de Portugal Dom José I e foi trazida para o Brasil por Dom João VI, em 1807. Junto à Biblioteca Nacional, outra de grande importância no Brasil é a Biblioteca Municipal de São Paulo.
          Faça uma visita a Biblioteca de Alexandria:
                                   http://youtu.be/fVqz-IRck1I

FEBVRE, Lucien. O aparecimento do livro. São Paulo : Unesp, 1992.

SCORTECCI, João. Guia do Profissional do Livro. São Paulo : scortecci, 2007
MARTINS, Wilson. A Palavra Escrita. São Paulo.Ática, 3. ed. 1998. 512p.
ECO, Humberto. O Nome da rosa: romance. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.
                                       Venha para um Sarau Literário e se transforme:

Raquel de Queiróz, a "Dama da Ficção Social Nordestina" convida para o "Sarau das Flores" que vai acontecer no dia 13 de Setembro (19h30)no Teatro Municipal de Piracicaba na sala 2.                  fotos Google

      Convidada local homenageada pelo Sarau Literário Piracicabano: a escritora, poeta piracicabana das crônicas e poemas fortes (muitos deles de cunho social) a "Dama da Ficção Social Piracicabana": Dirce Ramos de Lima.
          "O Sarau mais charmoso da cidade”
                Teatro Municipal Drº Losso Netto em Piracicaba
                    Venha ouvir Poesia, Música, Teatro...
Entrada Franca (lotação 100 lugares retirar na bilheteria do Teatro Municipal).