quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"Poesia: um bem que revitaliza a alma"

                 Saraus uma maneira interessante de espalhar a literatura e a arte...
O sarau na modernidade, ainda continua a encantar os seus participantes, afinal, o movimento da arte e da literatura explorado pela música transforma o lenga- lenga da monotonia do dia-a-dia em um despertar para uma perspectiva rica de variedades!  Bom sarau para todos!   
                                                         Ana Marly de Oliveira Jacobino
Caderno do Sarau Literário Piracicabano de 14/08/2012-Parte 1
Pluft o fantasminha de Maria Clara Machado na Apresentação da Cia Sé de Teatro com Bêne Giangrossi e Lívia Foltran Spada na noite do sarau do dia 14 de agosto na Biblioteca Municipal
                                              Na foto Paulo com sua mulher a poeta Alice Ruiz

Primeiro homenageado do Sarau Literário Piracicabano é Paulo Leminski nasceu aos 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba, Paraná. Em 1964, já em São Paulo, SP, publica poemas na revista "Invenção", porta voz da poesia concreta paulista. Casa-se, em 1968, com a poeta Alice Ruiz. Teve dois filhos: Miguel Ângelo, falecido aos 10 anos; Áurea Alice e Estrela. De 1970 a 1989, em Curitiba, trabalha como redator de publicidade. Compositor, tem suas canções gravadas por Caetano Veloso e pelo conjunto "A Cor do Som". Publica, em 1975, o romance experimental "Catatau". Traduziu, nesse período, obras de James Joyce, John Lenom, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros, colaborando, também, com o suplemento "Folhetim" do jornal "Folha de São Paulo" e com a revista "Veja". No dia 07 de junho de 1989 o poeta falece em sua cidade natal. Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Seu livro "Metamorfose" foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro.

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença
                                   Paulo Leminski
amar é um elo
entre o azul
e o amarelo
                                  Paulo Leminski

a estrela cadente
me caiu ainda quente
na palma da mão
                                  Paulo Leminski
ameixas
ame-as
ou deixe-as
                                 Paulo Leminski
                                                             PAI _ Elza Rodrigues
 Santa missão
Quando assumida
De coração
Por toda vida
 Belo papel
Se planejado
Sendo fiel
Amigo do lado
 Cartilha não há
Prá gente ensinar
A lição tão bonita
De um pai exemplar
Que luta,que dá
Semente bendita!

                                      A cor da sua vida... Ana Marly de Oliveira Jacobino

  Viver cada dia como se as horas não nos importunassem com as suas cobranças constantes. Viver é comprar um vestido florido e mudar as suas cores a cada novo dia.

    Segunda feira é o dia da cor vermelha, a da alegria plena. Azul na terça com vestígios do céu se enamorando da lua desperdiçando luminosidade.
    Quarta aquele dia sem graça rompa com o tradicional use verde limão e aproveite tomar um chá de cidreira no encontro das suas amigas mais queridas saboreando uma torta de limão com cobertura de suspiro.
    Rosa é a cor da quinta-feira, leva lembranças de um passeio pelas alamedas floridas, daquele caminho repleto de ipês dançando ao vento outonal. Sinta as suas flores acariciando seus olhos, abraçando a sua alma nesta festa da natureza.
     Amarelo é para levantar o seu astral na sexta e no sábado. Bolo de cenoura na sexta e o de fubá no sábado irão dar o aroma de festa em família, adocicando o estomago com seu sabor voluptuoso e aveludado.
     Vista-se de primavera no domingo e vá celebrar a sua vida! Seu vestido florido está lindo! Você está linda!
Ah! Se você for do sexo masculino siga o roteiro da semana com camisa ou camiseta!
Conjunto Caleidoscópio Carlos Roberto Furlan (violão e voz) e Suzi Furlan (voz): Ana Paterniani (flauta e voz), China na percussão em:

                              Corcovado-Tom Jobim


Próximo Sarau vai acontecer no Museu e Centro de Ciências Luiz de Queiroz na Esalq 
Sarau Literário Piracicabano do dia 18 de Setembro de 2012 vai acontecer 

no  Museu e Centro de Ciências Luiz de Queiroz na Esalq as 19h30 e 

 vai homenagear  Luiz Vicente de Souza Queiroz e Choro de Saia 
            Tema"Ciência e Poesia juntas pelo progresso sustentável d’alma!"  
 Luiz Vicente de Souza QueirozFoto: Sarau Literário Piracicabano do dia 18 de Setembro de 2012 vai acontecer 
no  Museu e Centro de Ciências Luiz de Queiroz na Esalq as 19h30 e 
 vai homenagear  Luiz Vicente de Souza Queiroz e Choro de Saia 

Tema: "Ciência e Poesia juntas pelo progresso sustentável d’alma!"
Choro de Saia_ Atualmente as integrantes Tô Mendes (cavaquinho e voz), Sandra Regina Marques (violão de 7 cordas e voz), Celinha Marchini (pandeiro e voz) contam com a presença do solista masculino Augusto C. Vechini (flauta transversal e saxofone) com participação especial do arranjador e violonista, Alexandre Wuensche. 
                                                           fotos google  youtube

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cantoras do Rádio uma era de ouro na MPB...

Não tive o privilégio de conhecê-las na época áurea, mas, conheci o trabalho de cada uma por familiares que viveram momentos inesquecíveis nas ondas do rádio, ouvindo-as cantar! Salve as nossas intérpretes, salve, salve!        
                                                            Ana Marly de Oliveira Jacobino
Emilinha Borba é botafoguense de coração e mangueirense de alma e nascimento, pois foi num dia 31 de agosto, na Vila Savana, de seu avô, situada na Rua Visconde de Niteroi, no Bairro da Mangueira, na cidade do Rio de Janeiro / RJ, que nasceu, da união de Eugênio Jordão Borba e Edith da Silva Borba, uma carioca predestinada ao sucesso e a levar para fora dos limites de sua cidade e do seu País, o seu carisma, a sua grandiosidade e, principalmente, a nossa cultura popular: Emilia Savana da Silva Borba (hoje Emília Savana de Souza Costa) e nacionalmente conhecida como Emilinha Borba.
Cantoras do Rádio é um documentário que resgata importantes passagens da Era de Ouro do Rádio, durante as décadas de 30 a 50...
Ainda menina e contrariando um pouco a vontade de sua mãe, apresentava-se em diversos programas de auditório e de calouros, dentre eles, "A Hora Juvenil", na Rádio Cruzeiro do Sul, e "Calouros do Ari Barroso", onde conquistou a ota máxima interpretando o samba "O X do Problema" de Noel Rosa.
Emilinha Borba e Bidú Reis
Cantando de emissora em emissora de rádio daquela época, formou com Bidú Reis, e por um curto período, a dupla "As Moreninhas" (foto acima), quando então, gravaram em Discoteca Infantil - 78 RPM, "A História da Baratinha", numa adaptação de João de Barro.

1950 - Emilinha Borba - Tomara Que Chova

Levada por Carmen Miranda, "A Pequena Notável" e sua madrinha artística, fez um teste no Cássino Balneário da Urca / Rio de Janeiro. Por ser menor de idade e na ansia de conseguir o emprego, alterou sua idade para alguns anos a mais. Ajudada por Carmen (que também emprestou-lhe vestido apropriado e sapatos de plataforma), foi aprovada pelo Sr. Joaquim Rollas, diretor artístico do Cássino e ali passou a se apresentar como "crooner", tornando-se logo em seguida uma das principais atrações daquela casa de espetáculos.

Emilinha Borba canta suas marchinhas: http://www.youtube.com/watch?v=1FLnh0Qfa0o

Auditório da Rádio Nacional 
Emilinha foi a primeira artista brasileira a fazer uma longa excursão pelo país com patrocínio exclusivo. O laboratório Leite de Rosas até então investia em artístas internacionais (como a orquestra de Tommy Dorsey) e contratou e patrocinou Emilinha por três meses consecutivos em excursão pelo Norte e Nordeste.
Sua foto era obrigatória nas capas de todas as revistas e jornais do país. Na "Revista do Rádio" semana era ela, na seguinte outro artista e na posterior ela novamente. Até que, na Semana Santa que seria a vez de Emilinha, foi criado um impasse, pois o diretor da revista queria homenagear a Igreja Católica. Como resolver? Solução: colocar um crucifixo em seu colo, o que foi o bastante para um crítico (José Fernandes) dizer: "Que até Cristo para ser capa de revista teve que sentar no colo de Emilinha"
Em fevereiro de 2004, Emilinha foi hospitalizada após cair da cama e fraturar o braço direito. Em junho de 2005, ela esteve internada após cair de uma escada e sofrer traumatismo craniano e hemorragia intra-cerebral.Morreu na tarde do dia 3 de outubro de 2005 de infarto fulminante, enquanto almoçava em seu apartamento no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, aos 82 anos.Seu corpo foi velado durante toda a noite e pela manhã, por amigos, familiares e fãs, na Câmara dos Vereadores no Rio de Janeiro (cidade) e sepultado no Cemitério do Caju.


Emilinha Borba - Escandalosa - Ao Vivo:http://www.youtube.com/watch?v=AyC9Yx78f5I&feature=related


youtube
google

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ed MOtta: como não gostar do seu trabalho e do seu gosto musical...

Acompanho a carreira de Ed Motta e gosto muito do seu trabalho e do seu gosto pela música brasileira e universal. Neste seu aniversário nada melhor do que ouvi-lo cantar: "Parabéns somente para você": http://youtu.be/ZCgJMIe0Sgs
                     Ana Marly de Oliveira Jacobino
Nada melhor do que saber um pouco sobre o Ed Motta contado por ele mesmo:
Nasci na Tijuca, Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1971, filho de Antonio Carlos e Luzia e irmão de Regina. Minha mãe diz que quando pequeno eu não gostava das músicas dirigidas para crianças e que que um dos meus hits era “You Are The Sunshine Of My Life” de Stevie Wonder (professor Stevie desde cedo ali…). Com uns 7 anos me apaixonei pela disco music que tocava o dia inteiro no rádio e na vitrola de minha irmã. Participamos de concursos de dança e tudo, meu sonho era assistir os “Embalos de Sábado À Noite” mas era menor de idade. 
                              Ouça toda a sua bela interpretação:

Ed Motta - Azul da Cor do Mar:http://www.youtube.com/watch?v=UrYviyhaweM&feature=related

A partir daí começou uma sadia mania de colecionar discos com todos os cuidados que estes requerem. Até que em 82/83 descubro o rock e suas revistas, enciclopédias, discos importados e toda aquela parafernália de colecionador. Me transformo num pesquisador profundo do assunto, de Scooty Moore à Jimmy Page, renegando meu passado disco/soul/funk, atitude típica do público deste tipo de música, vira uma religião, camisetas, bottons e todas essas bobagens (aliás esse negócio de pesquisar eu pulei senão vira uma autobiografia gigantesca. Mas sempre tive umas manias que levava muito a sério tipo peixes, sabia tudo do assunto: nomes científicos, montagem de aquários, etc.) 
                                             Mais Ed Motta:

Caso sério: http://www.youtube.com/watch? NR=1&feature=endscreen&v=1ZDwX8MsjHc

                                    Alegria plena a Ed MOtta neste seu aniversário

Neste aniversário de Ed Motta vamos curtir- Solucao:http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=fvwp&v=GP8XIiglDJg
Nunca descartei a possibilidade de fazer um disco sem letras. Era uma questão de honra. 
Apesar de ser brasileiro, se a questão é ritmo eu e uma grande parte da minha geração fomos expostos muito mais ao pop norte-americano e inglês inicialmente. Aí pensei: posso fazer uma coisa popular de nível, sofisticação, cuidado, etc, mas que remetesse a minha irônica "raiz" inicial : o soul/funk norte-americano. Então iniciei a idéia de "Manual Prático Para Festas, Bailes e Afins Vol.I" . Foi com prazer saudosista que realizei este disco. A todo momento me lembrava do "Conexão" e "Contrato Com Deus". "Manual Prático...vol 1", é um disco que tem o sabor da simplicidade dos meus primeiros trabalhos, mas com uma capacidade técnica e de composição maiores. Assim espero eu... 
Entre o "Manual", que tive o prazer de receber meu primeiro disco de ouro, e o "As Segundas Intenções", muita água rolou, desde um, duas trilhas premiadas, "Ninó" e "Uma Janela Para o Cinema", a um show inesquecível com Roy Ayers no Central Park em NY. 

                                Ed Motta em DVD - Coincidência

Ed Motta Um presente virtual para a sua coleção de bolachões este é  do Trio Marayá: Marconi. Hilton e Bhering 
google youtube

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Altamiro Carrilho sua morte nos faz chorar...

Adeus ao grande mestre "Altamiro Carrilho" um dos maiores instrumentistas que a música brasileira produziu! Ele, um dos último dos grandes mestres do choro sempre deu mostras da sua arte do sopro com elegância, velocidade, leveza, um  virtuosista, inesquecível. A Agenda Cultural Piracicabana chora a sua perda! Descanse em paz, Mestre!                                 Ana Marly de Oliveira Jacobino
Altamiro Aquino Carrilho nasceu na cidade de Santo Antonio de Pádua (RJ), em 21 de dezembro de 1924. Por influência da família de sua mãe, aos cinco anos de idade brincava com uma flauta de bambu, feita por ele. Aos onze anos, já integrava a Banda Lira Árion, tocando tarol.Filho de Lyra de Aquino Carrilho e Octacilio Gonçalves Carrilho, cirurgião dentista que gostava de ajudar as pessoas menos favorecidas. Membro de uma família de oito irmãos, entre eles, o flautista Álvaro Carrilho. Seu avô materno, Carlos Manso de Aquino, era tão apaixonado por música que ao nascer sua primeira filha lhe deu o nome de Lyra. Nome também de sua banda: Lyra de Orion - que tocava no coreto da praça onde as famílias da cidade se reuniam para ouvir e aplaudir. Em 1938 integrou a banda de seu avô "Banda Lira de Arion", na qual tocava caixa de guerra. 
                                      Ouça toda a sua maestria: 

Altamiro Carrilho - Flamengo (choro):http://www.youtube.com/watch?v=HoG O4Ocatc&feature=related

Estreou em disco em 1943, participando da gravação de um 78 rpm de Moreira da Silva, na Odeon. Em 1949, gravou o seu primeiro disco na Star, “Flauteando na Chacrinha” . Tornou-se conhecido internacionalmente na década de 60, quando se apresentou em diversos países, dentre eles: Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Egito, México, Estados Unidos e União Soviética. “Um dos maiores e mais afinados solistas do mundo” foi o elogio que Altamiro Carrilho recebeu de Boris Trisno, quando esteve na União Soviética por três meses. O sucesso no exterior foi tanto que chegou a ficar um ano no México, onde fora passar uma temporada de apenas vinte dias. A partir da década de 70, tornou-se um dos flautistas mais requisitados, como solista e como acompanhante. 
 Altamiro esbanjando vitalidade em Chorando sem Parar 2010
Seu disco “Clássicos em Choro” foi premiado com o Troféu Villa-Lobos, como melhor disco instrumental, tendo recebido também Disco de Ouro pelo seu trabalho “Clássicos em Choros Nº 2”. Ganhou o Prêmio Sharp de 1997 como melhor CD instrumental, com o seu “Flauta Maravilhosa”. Recebeu em 1998, das mãos do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, uma Comenda especial, a Ordem do Mérito Cultural, em reconhecimento ao seu talento e sua incansável luta em prol da Música Brasileira. Ganhou o Titulo de Cidadão Carioca concedido pela Câmara dos Deputados. Em 2003, Altamiro recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural da Magistratura pelos serviços prestados à cultura brasileira.
Você vai adorar ouvir Preludio pra Voltaire na flauta maviosa de Altamiro Carrilho:
Compositor de versatilidade extraordinária, compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100 gravações em discos, fitas e CDs.
                                         Altamiro Carrilho e Guilherme no SESC
            Tenho uma história relevante com Altamiro Carrilho, por volta de 1993, ele veio tocar no SESC Piracicaba, e, a certo momento do espetáculo, ele pára de tocar, olha para a platéia (lotada), surpresa!: "Convido um de vocês para subir no palco e tocar comigo".
         Ninguém se manifesta! Petrificados! Tocar com o Mestre? Que louco levantaria e iria até lá? 
         De repente, meu filho Guilherme (10 anos incompletos) levanta a mão. Olho para ele assustada e temerosa. Seguro as suas mãos, como que, o impedindo de fazer a loucura! Ele me mostra a sua flauta doce... Altamiro Carrilho conversa com o Guilherme em um entrosamento e simpatia próprio dos grandes mestres! E, no palco do SESC "Mestre Altamiro" e o jovem instrumentista tocam Asa Branca. Inesquecível! 
Descanse em paz Altamiro Carrilho um brasileiro de valor... nosso grande Mestre!
fotos Google
Albin, Ricardo Cravo. "MPB, A História de Um Século". Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Paulo Leminski e Carlos Roberto Furlan no Sarau Literário Piracicabano

              Saraus uma maneira interessante de espalhar a literatura e a arte...
O sarau na modernidade, ainda continua a encantar os seus participantes, afinal, o movimento da arte e da literatura explorado pela música transforma o lenga- lenga da monotonia do dia-a-dia em um despertar para uma perspectiva rica de variedades!  Bom sarau para todos!   
                                                         Ana Marly de Oliveira Jacobino
Paulo Leminski nasceu aos 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba, Paraná. Em 1964, já em São Paulo, SP, publica poemas na revista "Invenção", porta voz da poesia concreta paulista. Casa-se, em 1968, com a poeta Alice Ruiz. Teve dois filhos: Miguel Ângelo, falecido aos 10 anos; Áurea Alice e Estrela. De 1970 a 1989, em Curitiba, trabalha como redator de publicidade. Compositor, tem suas canções gravadas por Caetano Veloso e pelo conjunto "A Cor do Som". Publica, em 1975, o romance experimental "Catatau". 

Traduziu, nesse período, obras de James Joyce, John Lenom, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros, colaborando, também, com o suplemento "Folhetim" do jornal "Folha de São Paulo" e com a revista "Veja". No dia 07 de junho de 1989 o poeta falece em sua cidade natal. Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Seu livro "Metamorfose" foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro.


UMA LUZ QUE DESAFIA A ESCURIDÃO
Carlos Roberto Furlan
Sabe, Ana, quando me pus a escrever essas linhas, a seu pedido, onde deveria me focar numa espécie de autobiografia, pensei em falar dos meus hobbies, da minha paixão pela música, pela química, pela literatura, enfim, das coisas que fizeram e/ou fazem parte da minha vida.
Mas, de repente, me dei conta de que  poderia falar da singular paixão que tenho pelo nosso sarau, que já atravessou oito anos de uma existência totalmente dedicada à arte, justificada pela poesia que ele contém, sempre nova, verdadeira e que traz em si mesma, e apesar de si mesma, algo que não lhe pertence e nem pertence aos seus autores – já é patrimônio da humanidade. Nele mora, portanto, a universalidade de uma obra, nascida de uma instância mais alta e através da única via possível: da beleza.
O nosso sarau é assim: vive submerso no mundo da música e da poesia. Mas não é só isso. Ele é, sobretudo, um vasculhador do mundo das artes, em total cumplicidade com os mistérios da criação. E segue, com maturidade, mas se comporta como um menino que resistiu dentro do adulto que sonha um mundo, que somente as crianças sabem amar e admirar.
E, assim, sucedem-se as edições, cada vez mais perfeitas, mais simples e mais humanas, menos preocupadas com a técnica e, por isso mesmo, profundamente mais artísticas, sempre inaugurando uma maneira própria de contar, através da poesia, da música, do teatro, da dança, a história sempre rica, atraente e inspiradora do nosso povo.
O nosso sarau é assim: dinâmico; com ele somos levados como um veleiro que se harmoniza com os ventos, em curvas tranquilas, no mar da poesia. E quem conosco navega, percebe que o barco da tristeza não tem a mesma rota; ao contrário, passa bem longe desse cenário que mantém, abertas, as janelas da criatividade e da inspiração, porque o nosso sarau é movimento. E com ele nos movemos até aonde a imaginação nos levar.
E aqui estamos nós, em casa nova, como namorados, de mãos entrelaçadas, vivendo um grande amor. E como disse o poeta: para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro – seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada – eu não ando só, só ando em boa companhia, com meu violão, minha canção e a poesia.
Assim, a nossa canção e a poesia, livres como pássaros, pousam onde lhes apraz. Juntas formam uma dupla que festeja, que celebra e que nos une, numa convivência intensa, verdadeira, luminosa.
Que bom estarmos aqui, querida amiga Ana Marly, comemorando esse acontecimento; porque o nosso sarau não é um cometa que passa e vai embora. Ele é a estrela que permanece como uma luz que desafia a escuridão. Porque a nossa estrela nasce do coração. E o coração é o arco por meio do qual o amor é disparado como flecha viva que sai veloz para atingir o alvo sobre o caminho do infinito.
                                               Razão de ser_ Paulo Leminski
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece.
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
                                NAS  ASAS  DO  VENTO - Carlos Roberto Furlan               
 Como o tempo vestido  de esperança  saudando  uma nova  estação;
Como semente de um verso  aguardando brotar  numa nova canção.
Abraço a verdade, rumo ao tesouro, ao pote de ouro que é o Teu coração,
Teu coração......
Faço da vida o meu canto na espera    que seja acolhido como oração...
E assim sou como gota sobre as asas do vento,
Por cima das grimpas das selvas   à esperar...
O sopro que me lançará, puro e sem segredos, em Teu seio,  Senhor...
Pois em Ti, já abandonei os meus medos...
Faço da vida o meu canto na espera    que seja acolhido como oração...
como oração 
Novo endereço para o Sarau Literário Piracicabano do dia 14 de Agosto de 2012 (Biblioteca Municipal de Piracicaba na rua Saldanha Marinho, 333 – Centro ) vai homenagear Paulo Leminski, compositor, poeta e escritor e Carlos Roberto Furlan, professor, escritor, compositor e músico 
Tema: "Poesia um bem que revitaliza a alma"

                                                 fotos google

domingo, 12 de agosto de 2012

Rainer Maria Rilke o poeta de Stefan Zweig .

"Em o mundo que eu vi_ Editora Record _ Stefan Zweig narra o que sentiu e viveu no apagar das luzes do século XIX e no amanhecer do século XX inclusive a sua triste sina perpassando as duas grandes guerras e toda a perseguição que sofreu abalado pela onipresente ameaça nazista e pelo exílio e viagens nem sempre voluntárias pelo mundo, ele, e outros eminentes gênios de descendência judia. 
     Zweig através das suas viagens conhece a nata da intelectualidade do mundo moderno, aqui revitalizo algumas vividas aos olhos do grande ensaísta Stefan Zweig
                                                             Ana Marly de Oliveira Jacobino
Rainer Maria Rilke o poeta de Stefan Zweig
Nascido em Praga em 1875, o poeta Rainer Maria Rilke viveu em primeira-mão a decomposição da Europa dos impérios e das aristocracias deterioradas. Originário de uma família da elite austro-húngara, dedica grande parte da sua vida adulta a viajar por todo o continente ao ritmo que lhe permitia a sua saúde, sempre frágil e enferma; cultiva também as suas amizades sempre mimadas através da sua infatigável busca pela escrita. Depois da Primeira Guerra Mundial e do desaparecimento do Império Austro-húngaro, Rilke torna-se num apátrida. Daí que o possamos considerar como um dos primeiros poetas genuinamente europeus da nossa época moderna, um desprovido de toda a paixão nacionalista tão cara aos seus contemporâneos. 
Em 1902 foi para Paris, onde trabalhou como secretário do escultor Auguste Rodin entre 1905 a 1906. Rodin exerceu grande influência sobre o poema de Rilke, que se reflete em suas publicações de 1907 a 1908Desde muito jovem que Rilke considerava o artista como um ser sem «outra pátria que ele mesmo», mostrando-se contrário à ideia de considerar os artistas de um país ou outro: “Que a Arte, no seu cume, não possa ser nacional faz que cada artista nasça, propriamente dito, para o estrangeiro”, escreve Rilke ao poeta russo Tsvétaïéva. Ora isto não surpreende, visto que este praguense que escrevia geralmente em alemão e que usava igualmente a língua francesa sem complexos para compor os seus versos, dava uso a um multilinguismo excepcional para a história da poesia europeia.
                                                         O Homem que lêEu lia há muito. Desde que esta tarde 
com o seu ruído de chuva chegou às janelas. 
Abstraí-me do vento lá fora: 
o meu livro era difícil. 
Olhei as suas páginas como rostos 
que se ensombram pela profunda reflexão 
e em redor da minha leitura parava o tempo. — 
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz 
e em vez da tímida confusão de palavras 
estava: tarde, tarde... em todas elas. 
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já 
as longas linhas, e as palavras rolam 
dos seus fios, para onde elas querem. 
Então sei: sobre os jardins 
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus; 
o sol deve ter surgido de novo. — 
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança: 
o que está disperso ordena-se em poucos grupos, 
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas 
e estranhamente longe, como se significasse algo mais, 
ouve-se o pouco que ainda acontece. 
E quando agora levantar os olhos deste livro, 
nada será estranho, tudo grande. 
Aí fora existe o que vivo dentro de mim 
e aqui e mais além nada tem fronteiras; 
apenas me entreteço mais ainda com ele 
quando o meu olhar se adapta às coisas 
e à grave simplicidade das multidões, — 
então a terra cresce acima de si mesma. 
E parece que abarca todo o céu: 
a primeira estrela é como a última casa. 


Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens" Tradução de Maria João Costa Pereira
                                           Poema de Rilke já no final da sua vida.
1) A nossa penúltima palavra
seria uma palavra de miséria,
mas atrás da consciência-mãe
o todo último será bonito.
Porque vai ser preciso resumir
todos os esforços de um desejo
que nenhum gosto de amargura
não saberá conter.


                                                                      Stefan Zweig
O escritor nasceu em Viena, em 28 de novembro de 1881, típico produto de uma burguesia judaica culta na Áustria do fim de século. Filho do bem-sucedido fabricante têxtil judeu Moritz Zweig e de sua mulher Ida, nascida Brettauer, desde cedo ele soube que queria seguir a carreira literária, preparando-se cuidadosamente para ela...
                                    http://www.casastefanzweig.org/sec_vida.php
Rios Bonfim, Rita (2010), Poemas e Pedras. Poesia em Pedra. Uma abordagem da correspondência entre a poesia e a escultura com base em obras de Rodin e Rilke., Edusp, São PauloRainer Maria Rilke. Cartas a um Jovem Poeta. Editora Globo, São Paulo, 1989