quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A voz de Milton Nascimento e o trabalho cultural de Antonio Filogenio de Paula Junior . Agend@!

Sarau Literário Piracicabano (Consciência Negra )

Os homenageados da noite :Milton Nascimento e Antonio Filogenio de Paula Junior


16 de Novembro de 2010 (terça feira 19:30h
                                           Sala 2 do Teatro Municipal Drº Losso Netto
Ingressos gratuitos - podem ser retirados na Bilheteria do  Teatro Municipal de Piracicaba.
                               Classificação: Livre
 fotos: http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/fotos/
Milton Nascimento é um  dos mairoes compositor e cantor brasileiro. Nasceu em 26-10-1942, no Rio de Janeiro (RJ).
Um exímio compositor e dono de uma das mais belas vozes do Brasil, Milton Nascimento é um dos destaques da música popular brasileira. Despontou nos anos de 1960, quando foi classificado no II Festival da Canção, da Rede Globo, com as músicas Travessia, Morro Velho e Maria, Minha Fé. Percorreu uma trajetória que conta hoje com 29 discos, inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo e parcerias com músicos como Wayne Shorter, Pat Metheny, Peter Gabriel, Gal Costa, Carlinhos Brown, Gilberto Gil e Elis Regina. Conquistou o Oscar da música popular norte-americana, o Grammy, em 1998, com o álbum Nascimento (1997).

Ouça Milton Nascimento ao vivo, cantando Travessia e se emocione com a sua voz:

http://www.youtube.com/watch?v=VFyNyZjRPiw
 Sua música, definida por ele mesmo como world music, é um sincretimo de estilos, onde mistura jazz, blues, rock e música latina, e temas, como sua terra, Minas Gerais, a negritude e o cristianismo. Carioca de nascimento, filho de uma empregada doméstica, foi adotado e mudou-se, com 1 ano, para Três Pontas. Suas primeiras notas musicais foram tiradas de um acordeão, que ganhou de aniversário. Vieram depois o violão e o piano.
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_765.html

Seus  discos que marcarm época, como "Milton", "Minas", "Gerais" "Milagre dos Peixes" e os dois volumes de "Clube da Esquina", que acabaram intitulando toda a geração mineira emergente; Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Nivaldo Ornellas, Nelson Ângelo, Tavito e outros. Nos anos 70 teve algumas músicas censuradas pelo regime militar e gravou outros discos nos EUA, com a participação de Airto Moreira, Herbie Hencock, Wayne Shorter e outros. É considerado, tanto no Brasil quanto no exterior, um dos maiores cantores da música brasileira, além de ser um compositor consagrado, que influenciou toda uma geração de músicos.Em 1998 ganhou o Grammy na categoria World Music com seu disco "Nascimento".

Ouça +: Sarah Vaughan & Milton Nascimento - Bridges (Travessia)
http://www.youtube.com/watch?v=X3sLxtAW0nY

                          Segundo Homenageado do Sarau Literário Piracicabano

Antonio Filogenio de Paula Junior  com integrantes do batuque de umbigada em apresentação.

O batuque de umbigada, também conhecido como tambu ou caiumba é uma manifestação cultural trazida para o Brasil pelos escravos de origem bantu. Com seus instrumentos como o Tambú, uma espécie de tambor feito de tronco oco de árvore; quinzengue, um tambor mais agudo que faz a marcação rítmica do tambú e nele se apóia; as matracas, que são os paus que batem no tambú do lado oposto do couro; guaiás ou chocalhos de metal em forma de cones ligados, essa manifestação conseguiu se manter através do tempo, passando de geração para geração.
No interior de São Paulo, a hipótese mais provável é a de que o batuque de umbigada chegou trazido pelos escravos que vieram da região nordeste do Brasil para trabalhar nas fazendas de açúcar e de café. A manifestação se propagou pela região onde se localizam as cidades de Campinas, Piracicaba, Capivari, Monte-mor, Tietê, Porto Feliz, entre outras.
Bibliografia:
Memória Familiar e Educação não-formal : Um olhar sobre a(re) construção de identidades de Claudete de Sousa Nogueira

  Grupo de Batuque de Piracicaba_ O Batuque de Umbigada, foi praticado em várias cidades do Estado de São Paulo, mas hoje é preservado apenas em nossa região, com destaque nas cidades de Piracicaba, Capivari, Tietê e Rio Claro
 fotos de Ana Marly de Oliveira Jacobino tiradas durante apresentação do grupo na Semana de Erotides de Campos (12 a 15 de Outubro) no Teatro Municipal de Piracicaba
 O resgate histórico feito por muitas pessoas entre elas o homenageado do Sarau Literário Piracicabano "Antonio Filogenio de Paula Junior" resgatam o batuque junto as crianças da comunidade piracicabana.
Crianças no Batuque de umbigada demonstram o resgate da cultura em Piracicaba e região. A cultura é a máxima riqueza de um povo.

domingo, 7 de novembro de 2010

A flauta e o flautista fazem a história na Agend@

                                                    Flauta e EU! (miniconto)

                                              Ana Marly de Oliveira Jacobino

A flauta soa e como magia o meu “eu” se torna o todo! Sinto as ranhuras liquefeitas das minhas veias no ir e vir das notas melodiosas. O corpo sustenta a versatilidade do vôo de um pássaro. Uma mão se eleva para o céu, enquanto a outra, se enterra no inferno. O dual se contrapõe! Pan me desfigura. Mas, a beleza harmoniosa vence e as portas dos céus me atravessam!
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Sinceras homenagens da Agend@ Cultural Piracicabana para "Altamiro Carrilho" por toda a sua trajetória histórica para a Música Brasileira.

Altamiro Carilho é membro de uma família musical – seu avô materno batizou sua filha de Lyra, de tão apaixonado por música – o flautista Álvaro Carrilho é considerado uma lenda do choro. Iniciou a carreira em 1938, tocando caixa de guerra na banda do avô, a “Banda de Lyra de Arion”. Poucos anos depois, com a inseparável flauta, ganhou o primeiro prêmio no programa “Calouros em Desfile”, de Ary Barroso. Compôs seu primeiro choro choro – “Flauteando na Chacrinha” – 11 anos após o início da carreira.

## Ouça e se sinta no paraíso com a flauta mágica de Altamiro Carrilho interpretando Odeon
http://www.youtube.com/watch?v=LvvIg4jgSEs

foto: jpg - jornale.com.br/horasonora/wp-content/uploads/...

Em novembro de 1972 apresentou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro o Concerto em Sol de Mozart, sendo muito elogiado pela crítica especializada. Foi convidado pela Orquestra Sinfônica de Porto Alegre para participar de um programa de Concertos onde, sob a regência do Maestro Julio Medaglia, executou o Concerto Nº2 em Ré Maior KV 314 de Mozart, tendo a idéia de colocar nas cadências pequenos trechos de músicas de grandes compositores populares brasileiros, tais como Pixinguinha e Ernesto Nazareth. Tal fato causou enorme impacto no público e principalmente nos membros da orquestra, sendo aplaudido de pé durante dez minutos. Em 1987, Altamiro Carrilho acompanhou Elizete Cardoso em sua tournée pelo Japão.

foto:jpg - 3.bp.blogspot.com/.../wZZaOQxuYRY/s1600/CEU.jpg

 Seu disco “Clássicos em Choro” foi premiado com o Troféu Villa-Lobos, como melhor disco instrumental, tendo recebido também Disco de Ouro pelo seu trabalho “Clássicos em Choros Nº 2”. Ganhou o Prêmio Sharp de 1997 como melhor CD instrumental, com o seu “Flauta Maravilhosa”. Recebeu em 1998, das mãos do então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, uma Comenda especial, a Ordem do Mérito Cultural, em reconhecimento ao seu talento e sua incansável luta em prol da Música Brasileira. Ganhou o Titulo de Cidadão Carioca concedido pela Câmara dos Deputados. Em 2003, Altamiro recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural da Magistratura pelos serviços prestados à cultura brasileira.
foto: jpg - www.ligia.tomarchio.nom.br/foto_altamiro_flau...

Altamiro Carrilho é um compositor de versatilidade extraordinária, compôs cerca de 200 músicas dos mais variados ritmos e estilos. Com 60 anos de carreira, tem mais de 100 gravações em discos, fitas e CDs.

Atualmente apresenta-se com seu conjunto de choro por diversas cidades brasileiras, em um show alegre e descontraído, em que conta algumas histórias da música popular brasileira, também incluindo em seu repertório arranjos de música clássica em ritmos brasileiros. Apresenta-se ainda, com orquestras sinfônicas por todo o território nacional e internacional, exercitando assim o seu lado erudito.
É um gênio vivo e um grande exemplo de perseverança, amor pelo instrumento e à música – dom de Deus, que lhe permite transmitir ao público: alegria e amor.
http://www.choromusic.com.br/compositores_ac_biografia.htm

Ouça este pedaço do céu e se sinta nele literalmente:
http://www.youtube.com/watch?v=U5M1_f7jybA

Sarau Literário Piracicabano (Consciência Negra )

_homenageados da noite :Milton Nascimento e Antonio Filogenio de Paula Junior
16 de Novembro de 2010 (terça feira 19:30h
Sala 2 do Teatro Municipal Drº Losso Netto
Ingressos gratuitos - podem ser retirados na Bilheteria do
Teatro Municipal de Piracicaba.
Classificação: Livre 
 Prêmio Escriba de Poesias

Entrega de Premiação na Biblioteca Municipal no dia 13 de Novembro de 2010 a partir das 20 horas

Com o Conto Zevers, O Esquecido a Poetisa Carla Ceres obteve o 2º lugar no VI Concurso de Contos e Crônicas, promovido pelo Núcleo Universitário de Cultura, dentro da 8ª Mostra Acadêmica da Unimep - Piracicaba (SP).
Veja o conto na íntegra no blog pessoal da autora "Algo além dos Livros"
http://carlaceres.blogspot.com/

O QUADRO  de Ivana Maria França de Negri recebeu o (1o lugar no VI Concurso de Contos e Crônicas - 8o UNICULT da UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba)
Veja o conto na íntegra no blog:
http://golp-piracicaba.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Personalidades que marcam a vida da cidade!Agend@!

“Nhô Lica – Aventuras e Desventuras do Capitão Félix do Amaral” (AUTOR:FRANCISCO A. F. DE MELLO), encenado pela Tragatralha Cia. de teatro
 Tragatralha Cia. de Teatro resgata a memória de outro ilustre personagem popular de Piracicaba a de Felix do Amaral Mello Bonilla, conhecido por todos como Nhô Lica.

 foto (Jornal A Provicia) do Capitão Felix do Amaral Mello Bonilla (Nho Lica)

A peça tem direção e texto de Carlos ABC e o elenco é formado por quatro atores: Carla Sapuppo, Rafaela Arthuso, Edvaldo Oliveira e Raul Rozados com o diretor Carlos ABC.

Uma cidade sem asfalto, com ruas recheadas pelos pedregulhos. Assim era Piracicaba no período em que viveu Felix do Amaral Mello Bonilha (1862-1954), popularmente conhecido como Nhô Lica.
Figura lendária na cidade, ele permanecia a maior parte do seu tempo no Centro e a não existência do asfalto era um prato cheio para Bonilha, chamado também de capitão pelas pessoas mais próximas.
Para ele, as pedras e os cascalhos eram ouros e diamantes. De tanto catá-las, acreditava ter acumulado riquezas e se tornado o cidadão mais rico do mundo. Era também proprietário dos principais patrimônios da cidade, como o Engenho Central, Usina Monte Alegre, Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba e até a antiga Igreja Matriz de Santo Antônio.
Sua história está contada em livro desde 2003 e a partir do próximo ano vai ganhar adaptação para o teatro, com texto de Carlos ABC e interpretação da Tragatralha Cia. de Teatro.
“Milionário de ilusões, foi bom e amou sua terra”. A homenagem de amigos gravada em seu túmulo, no Cemitério da Saudade, reflete o espírito desta ilustre personalidade, desequilibrado mental, mas acima de tudo um sonhador.
Apesar de se achar um cidadão milionário, Nhô Lica possuía apenas as roupas do corpo, a bengala e um violão um tanto peculiar, de apenas duas cordas. (...)
Publicado no Caderno Movimento do Jornal de Piracicaba

Nho Lica aqui retratado pelo artista plástico Joâo Monteiro
(dandonota.files.wordpress.com/2008/11/nholica...)

NHO LICA (ELE NASCEU EM 1862 E MORREU EM PIRACICABA AOS 92... MAS FALAVA QUE SÓ TINHA 38!)  
                                      ANA LUCIA STIPP PATERNIANI

ERA UM GRANDE SONHADOR...
ERA COMPOSITOR!
COM SEU VIOLÃO DE APENAS DUAS CORDAS
QUE SÓ FAZIA DINDINDIM DONDONDOM...
LÁ VAI O SENHOR CAPITÃO!
BENGALA NA CINTA, DIAMANTES NA MÃO...
" - BÃOBALALÃO SENHOR CAPITÃO... "
SE VIVEU SUA VIDA SONHANDO
OU SONHOU SEU SONHO VIVENDO
ESSE MILIONÁRIO DE ILUSÕES...
QUEM PODERÁ SABER OU SER JUIZ?!?
AS PEDRAS, O RIO... SÃOTESTEMUNHAS
QUE FOI RICO, BOM E GENEROSO,
POIS DEU TUDO O QUE TINHA POR AMOR
A SUA TERRA, A SUA CIDADE, AO SEU PAÍS...
SE FOI TRISTE E SE FOI LOUCO...
POR CERTO, PELO MENOS UM POUCO...
CAPITÃO FELIX FOI FELIZ!"

"Choro Carioca - Música do Brasil" se apresentou nos palcos do Teatro Municipal arrebatando o público presente com uma magistral interpretação musical

** Veja e ouça um pouco do trabalho de Maurício Carrilho e o grupo que o acompanha:

http://www.youtube.com/watch?v=XG09ZRuQnHk

Convites:
 Prêmio Escriba de Poesias
Entrega de Premiação na Biblioteca Municipal no dia 13 de Novembro de 2010 a partir das 20 horas
 Sarau Literário Piracicabano (Consciência Negra )_homenageados da noite :Milton Nascimento e Antonio Filogenio de Paula Junior


16 de Novembro de 2010 (terça feira 19:30h
Sala 2 do Teatro Municipal Drº Losso Netto
Ingressos gratuitos - podem ser retirados na Bilheteria do Teatro Municipal de Piracicaba.
Classificação: Livre

Primavera em Piracicaba

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Homenagem da Agend@ para Gonçalves Dias!


foto:google
Antônio Gonçalves Dias nasceu em Caxias no dia 10 de agosto de 1823 e morreu em Guimarães no dia  3 de novembro de 1864.

Morte de Gonçalves Dias  (Canto elegíaco)_Bernardo Guimarães

Que fado o teu, Gonçalves!... que desdita!...
Ai! quantas agonias
Vieram conturbar-te a mente aflita
Nos derradeiros dias,
Quando no meio das tormentas bravas
O teu formoso espírito exalavas!...

Qual alcion dormindo sobre o ninho
Das vagas balouçado,
Às vagas entregaste - tão sozinho
O teu corpo alquebrado,
E vinhas ver, atravessando os mares,
Pela última vez teus pátrios lares.

Cruel doença as fontes te secava
Da débil existência,
E já quase do vaso se entornava
Essa imortal essência,


O sopro, que dos lábios de Deus sai,
E que, quando lhe apraz, a si retrai.
Ah! que saudade, que palpite ansioso
No peito lhe ofegava,
Quando pelo horizonte nebuloso
As praias lobrigava
Da doce pátria, e os coqueirais viçosos,
Que de longe acenavam-lhe saudosos.
foto: gooogle
 Era filho de uma união não oficializada entre um comerciante português com uma mestiça cafuza brasileira (o que muito o orgulhava de ter o sangue das três raças formadoras do povo brasileiro: branca, indígena e negra), e estudou inicialmente por um ano com o professor José Joaquim de Abreu, quando começou a trabalhar como caixeiro e a tratar da escrituração da loja de seu pai, que veio a falecer em 1837.

Iniciou seus estudos de latim, francês e filosofia em 1835 quando foi matriculado em uma escola particular.
Foi estudar na Europa, em Portugal em 1838 onde terminou os estudos secundários e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1840), retornando em 1845, após bacharelar-se.                          
Foi um poeta e teatrólogo brasileiro.
                                                                Importante:
No ano de 1849 fundou com Manuel de Araújo Porto-Alegre e Joaquim Manuel de Macedo a revista Guanabara, que ajudava a divulgar o movimento romântico daquele tempo. Em 1851, Gonçalves Dias voltou a São Luís do Maranhão, a pedido do governo para estudar o problema da instrução pública naquele estado.

Montello, J. Para conhecer melhor Gonçalves Dias. Rio de Janeiro: Block. 1973. 138 p.

                                 foto:jpg - images04.olx.pt/ui/2/92/02/33219002_1.jpg
Já da vida, que esvai-se, o extremo alento

No peito lhe lateja;
Mas à luz da esperança ainda um momento
Sua alma se espaneja,
Que já lhe trazem virações fagueiras
Os aromas da terra das palmeiras.


Ei-la! - do ocaso lá na linha extrema,
A pátria; ei-la acolá!...
E os palmares, por onde vaga a ema
E canta o sabiá!
Ei-la, a formosa terra dos amores,
Ninho viçoso de verdura e flores.


Ah! não permita o céu que ele sucumba
Sem ver a pátria amada!
Possa ele vê-la, embora encontre a tumba
Por seus pés cavada;
Ver a pátria, e morrer beijando a terra,
Que os ossos de seus pais no seio encerra,
                                                                   foto: google
Ai! uma hora, ó Deus! uma só hora

Deixa-o ainda viver;
Deixa-o na doce pátria, por quem chora,
Entre os seus ir morrer,
Não pereça tão junto aos lares seus,
Sem poder lhes dizer o extremo adeus!

Mas da borrasca as núncias temerosas,

Densas nuvens, se estendem pelos céus,
E o mar levanta em vagas alterosas
Medonhos escarcéus.

Das ondas e dos ventos embatido,
Qual bravio corcel,
Que as rédeas arrebenta de insofrido,
O trépido batel,
Ora do firmamento segue o rumo,
Ora aos abismos quase desce a prumo.


Por entre os estertores da borrasca
O navio aos boléus estala e range;
O medonho tufão, que os mastros lasca,
Os mais valentes coraçoes confrange.
Bem perto em fúria o mar ali rebenta
Entre as pontas de horríficos abrolhos,
E da morte a figura macilenta
Do nauta surge aos olhos.(...)

E a vaga, que o tragou no bojo horrendo,

Estourando nas broncas penedias,
Veio na praia murmurar gemendo:
- Morreu Gonçalves Dias! -(...)

***O poema foi escrito em 1869, cinco anos depois da morte do autor da "Canção do Exílio".
 foto: jpg - www.panoramio.com/photos/original/8776285.jpg                             
                                      Canção do Exílio (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.


Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
                                                         Livro: Primeiros cantos (1847)


                foto:http://www.skyscrapercity.com/show
      Canção ao Rio (Tributo intertextual para Gonçalves Dias)
                                         Ana Marly de Oliveira Jacobino

Minha terra tem um rio...,
Nas suas margens floresciam,
Ipês, sapucaias, paineiras...!
Curiós, pintassilgos, sábias...,
Cantavam sonoros cantos,
Enquanto viviam por lá!
A andar sozinha pelo mirante,
Quanta beleza se via cá!
Nosso céu tinha mais aves,
Nosso rio tinha mais peixes,
Nas suas águas espumantes,
Corredeiras se viam lá!
Foram então transportadas,
Para abastecer outros lugares.
Quando a chuva vai embora,
E a seca apavora,
Meus olhos derrubam lágrimas,
Por não ver mais o seu véu,
Rolando em suas cascatas!

Minha terra tem um rio...,
Onde lambaris, mandis, piabas...,
Venciam suas correntezas,
Fertilizando as suas águas.
Lá, naquele cantinho do salto,
Thebe, filha do deus Asopus,
Orgulhosa como tua escrava,
Molhava seu corpo nu,
Abençoando as suas águas!


Minha terra tem um rio...,
De tanta beleza e encanto,
Que mesmo procurando tanto,
Não encontrei nada igual,
Nos lugares mais distantes,
Danúbio, Mississipi, Orange,
Eufrates, Reno, Sena,
Tamisa, Tejo, Ganges...
De valorosos fatos...,quantos,
Da história da humanidade,
Não podem aos olhos dessa sua amante,
Suprir as belezas do seu manancial.


Minha terra tem um rio...
Queira que um dia o seu povo,
Volte a sorver as delicias,
Da sua corrente virginal.
Da volta dos cardumes de peixes,
Das suas matas verdejantes,
E também do sabiá cantante,
Que canta nos seus gorjeios,
Que essa pobre viajante,
Nunca encontrou por lá,
Os amores e primores,
Das suas margens floridas,
Que tanto havia cá!


Minha terra tem um rio...,
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu possa presenciar,
As comportas ruírem,
As suas águas subirem,
Correrem pelo seu leito,
E a sua ilha abraçar.
Não permita Deus que eu morra,
Longe dos seus amores,
Sem que aviste os ipês,
Onde canta o Sabiá.
Sem que veja rolarem as águas,
Do rio de Piracicaba!
                                            foto: google
                       Minha opinião crítica ao trabalho de Gonçalves Dias:
Versos tão líricos, belos e repleto de amor ao Brasil ninguém mais consegui fazer como o poeta maranhense .  mas, todo esse seu pensamento poético nacionalista, não minimizou o pensar dos povos eurpopeu aos selvagens americanos . Seus versos vão além do cantar nacionalista, alguns dos poemas que Gonçalves Dias pensou e ofereceu aos índios servem para mostrar e denunciar os mais de três séculos de destruição que os colonizadores mortificaram e impuseram às suas culturas.
                                                                         Convite:
Sarau Literário Piracicabano (Consciência Negra )_homenageados da noite :Milton Nascimento  e Antonio Filogenio de Paula Junior
 
16 de Novembro de 2010 (terça feira 19:30h
Sala 2 do Teatro Municipal Drº Losso Netto
Ingressos gratuitos - podem ser retirados na Bilheteria do Teatro Municipal de Piracicaba.
Classificação: Livre

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A morte na poesia...na Agend@!

foto:google
                                            Annabel Lee (Edgar Allan Poe)

(...) E os anjos, menos felizes no céu,

Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

foto: jpg - 1.bp.blogspot.com/_mXn6WUW8hlk/Sy07mwkO1_I/AA

A minha Morte (Florbela Espanca em [Esparsos de Florbela]


Eu quero, quando morrer, ser enterrada
Ao pé do Oceano ingénuo e manso,
Que reze à meia-noite em voz magoada
As orações finais do meu descanso…

Há-de embalar-me o berço derradeiro
O mar amigo e bom para eu dormir!
Velei na vida o meu viver inteiro
E nunca mais tive um sonho a que sorrir!


E tu hás-de lá ir… bem sei que vais…
E eu do brando sono hei-de acordar
Para teus olhos ver uma vez mais!


E a Lua há-de dizer-me me voz mansinha:
- Ai, não te assustes… dorme… foi o Mar
Que gemeu… não foi nada… ‘stá quietinha

Morte! (Ana Marly de Oliveira Jacobino)

Desvanece o desejo!
Escapa feito o aroma
Outrora; olor perfume
Rouba do meu rosto
Riso frouxo incólume.


Boca repleta de estrume!
Devora alma em réquiem
Ronca o ventre inchado
Negror roto sem o lume
Podre; fungo esverdeado.

                  
     foto:jpg - ynilayllek.zip.net/images/morte2.jpg
                                     Se eu morresse amanhã! (Álvares de Azevedo)
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã.

mãe de saudades morreria.
Se eu morresse amanhã!


Quanta glória pressinto em meu futuro.
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!


Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito.
Se eu morresse amanhã!


Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã
Soneto(Francisca Júlia da Silva Münster)
Em pedra de carrara repousa a face

O mistral do tempo a lhe soprar o rosto
Digna escultura de pedra em exposto
Farnel de auroras, "santas" em disfarce!

Não tens do olhar o sinistro espectro
Nem do sorriso, o mister da natureza
Eis que pálida, repousa a destreza
Paira ao luar em virginal afeto!

Imperecível, divina e rara
Musa dos sonetos parnasianos
Traz na alma o manto das searas!

Inconfundível arte a de sonetear
Pomba alva de voo sobre-humano!
Nasceste mulher e morreste amar!

foto:jpg - mirleidevetufes.blog.terra.com.br/files/2010/
Parnasse Contemporain (Arthur Rimbaud )
E desde então no Poema do Mar mergulhei,
Cheio de astros, latescentes, devorando
Os verdes céus, onde às vezes se vê,
Lívido e feliz, um sonhador boiando.

Onde tingindo de repente o infinito, delírio
E ritmos lentos sob o dia em esplendor
Mais fortes que o álcool, mais vastos que nossas liras,
Fermentam as sardas amargas do amor!

Sei dos céus rasgando-se em raios, e das trombas,
Das ressacas e da noite e das correntes,
Da Alba exaltada igual a um bando de pombas,
E o que o homem acreditou ver viram meus olhos videntes!
foto:jpg - 3.bp.blogspot.com/.../s1600/27865.jpg
Esqueleto (microconto)

O bilhete estampa palavras de medo e desespero. A garrafa traz a morte. SOS! O tempo traga a vida! O pedido mostra um atraso de dois séculos.

Convites: 
Bom dia!
No dia 3 de novembro será realizada uma homenagem ao “Passa Balaio Trançado de Sonhos”, criado com o objetivo de estimular o interesse das crianças pela literatura infantil. Além da formação de 60 educadores na arte de contar histórias, a iniciativa contemplou a distribuição gratuita da publicação “Caju, uma história de amor” a cerca de 2 mil alunos da rede municipal de Piracicaba.
O projeto é uma realização da ArcelorMittal Piracicaba com a parceria da Secretaria Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Ação Cultural.
Contamos com a presença de todos!
                                                           Carmelina Toledo Piza